Realizou-se na sexta-feira, 11 de julho, o funeral de Roman Starovoit, ex-ministro dos Transportes russo.
A cerimónia aconteceu num cemitério de São Petersburgo, na presença da família e colegas, mas na ausência do presidente russo, Vladimir Putin, que também não compareceu no velório, na quinta-feira.
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Durante o velório, onde a agência de notícias francesa AFP esteve presente, a mulher de um colega de Starovoit foi a única a lamentar a morte, afirmando ser “uma grande perda e muito inesperada”.
Depois de depositarem grandes ramos de rosas vermelhas no caixão, os antigos colegas de Starovoit, vestidos com fatos escuros, deixaram rapidamente o local em luxuosos carros pretos, num ambiente que, segundo o jornalista, fazia lembrar um funeral no filme de culto ‘O Padrinho’, de Francis Ford Coppola.
Recorde-se que o alegado suicídio de Roman Starovoit foi anunciado pouco depois de ter sido demitido na segunda-feira por presumível corrupção e chocou a elite política do país.

Alegado suicídio de ex-ministro dos Transportes choca elite política da Rússia
O alegado suicídio do ex-ministro dos Transportes russo Roman Starovoit, anunciado pouco depois de ter sido demitido na segunda-feira por presumível corrupção, chocou a elite política do país.
Lusa | 15:26 – 11/07/2025
Embora as circunstâncias da morte de Roman Starovoit, de 53 anos, permaneçam por esclarecer, a imprensa russa noticiou uma investigação, afirmando que a detenção do ex-ministro devia acontecer em breve.
A demissão aconteceu na segunda-feira, depois de drones ucranianos terem causado o caos nos aeroportos russos, especialmente em Moscovo e São Petersburgo, onde foram cancelados e adiados mais de 2.000 voos em três dias por questões de segurança.
Poucas horas depois, o corpo de Starovoit foi encontrado dentro do seu automóvel, com um ferimento de bala.
Roman Starovoit foi governador da região russa de Kursk, na fronteira com a Ucrânia, antes de ser promovido a ministro em Moscovo, em maio de 2024, três meses antes de as tropas ucranianas terem tomado o controlo de uma pequena parte do território numa ofensiva surpresa. O ataque foi um revés para o Kremlin.
O sucessor como chefe da região, Alexei Smirnov, foi preso na primavera por desvio de fundos destinados ao reforço das fortificações fronteiriças.
O caso Starovoit faz parte de uma recente repressão contra altos cargos suspeitos de enriquecimento ilegal durante a ofensiva russa na Ucrânia.
Embora Putin prometa regularmente combater a corrupção — tendo sido acusado de enriquecimento ilícito por críticos —, as raras detenções de responsáveis costumavam ser usadas para atingir opositores ou acabar com disputas internas entre os escalões mais baixos do poder na Rússia.
Desde a ofensiva na Ucrânia, lançada em fevereiro de 2022, “algo no sistema começou a funcionar de forma completamente diferente”, sublinhou a politóloga Tatiana Stanovaya, do Carnegie Russia Eurasia Center, proibido na Rússia por ser uma “organização indesejável”.
“Qualquer ação ou omissão que, aos olhos das autoridades, aumente a vulnerabilidade do Estado a ações hostis do inimigo deve ser punida impiedosamente e sem concessões”, afirmou à AFP.
Vários generais e oficiais de defesa foram presos por peculato nos últimos anos e, no início de julho, o ex-vice-ministro da Defesa Timur Ivanov foi condenado a 13 anos de prisão.
Esta atmosfera, segundo Tatiana Stanovaya, criou uma “sensação de desespero” entre a elite política de Moscovo, que dificilmente diminuirá. “No futuro, o sistema estará disposto a sacrificar figuras cada vez mais proeminentes”, alertou.
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