Em comunicado, o líder do Chega insular, Miguel Castro, considera que os acordos firmados entre o JPP e o PSD nas freguesias de Santo António, São Martinho, São Pedro e Santa Maria Maior são “uma verdadeira traição à confiança dos eleitores e uma prova inequívoca de que o JPP é hoje apenas mais uma peça do sistema que tanto critica”.
A coligação PSD/CDS-PP venceu nas autárquicas de dia 12 com maioria absoluta, pela segunda vez consecutiva, no principal concelho da Região Autónoma da Madeira, o Funchal, passando a governar as 10 freguesias do município.
A coligação PSD/CDS-PP elegeu seis vereadores, o JPP dois, o Chega dois e o PS, que tinha cinco representantes, ficou apenas com um vereador.
Nas freguesias de Santo António, São Martinho e São Pedro o JPP foi a segunda força mais votada, enquanto em Santa Maria Maior os socialistas ficaram em segundo lugar.
Na nota, o Chega considera que com estes acordos “o JPP demonstrou aquilo que sempre esteve latente: uma sede insaciável de poder e uma total ausência de coerência política”, além de ter revelado “o seu verdadeiro rosto” e passado de “um partido que se dizia independente, defensor do povo e crítico do sistema, para uma simples bengala do PSD”.
“Na primeira oportunidade, e à luz do CDS, deitou-se logo com o sistema para garantir lugares e poder”, acusa Miguel Castro, insistindo que o JPP, que é o principal partido da oposição no parlamento madeirense (ocupa 11 dos 47 lugares no hemiciclo), “vendeu-se por poder” e “traiu a vontade popular” ao “participar ativamente no abafamento da pluralidade democrática nas freguesias onde se coligou com o PSD”.
“Estes acordos são um insulto à vontade da população e uma prova de que o JPP é, afinal, mais do mesmo. Venderam-se por conveniência, por cargos, e deixaram de representar a mudança que prometia. É o sistema a reproduzir-se e o JPP é agora cúmplice dessa encenação”, acrescenta o líder do Chega/Madeira.
Exigindo que o JPP “preste contas aos madeirenses e explique publicamente porque preferiu pactuar com o sistema em vez de respeitar a vontade popular”, Miguel Castro refere ainda que “a democracia local fica mais pobre quando partidos que se dizem diferentes se vendem ao poder à primeira oportunidade”.
Pelo contrário, assegura, o Chega “continuará a ser a voz da verdade, da transparência e da coragem política que falta aos que vivem de arranjos e promessas vazias”.
Também em comunicado, o JPP classifica as acusações de Miguel Castro como “irresponsáveis”, notando que partem de um partido que, “na Madeira e no Continente, tem os seus cabecilhas dissidentes do PSD e ainda não se refez de ter ficado em quinto lugar ao nível dos resultados [nas eleições autárquicas] na região”.
O líder do JPP, Élvio Sousa, citado no documento, sublinha que a posição do seu partido resulta de “uma postura de responsabilidade e de aceitação dos resultados democráticos e das escolhas dos eleitores, numa perspetiva de viabilização única e exclusivamente da composição das mesas das respetivas assembleias e juntas”.
Segundo o JPP, o Chega está a recorrer a “este tipo de mexericos que não dizem nada ao cidadão” e “sofre de ciumeira excessiva, por ser um partido única e exclusivamente de protesto e de gritaria”.
“A um partido da Madeira, de governo, de alternativa e autonómico como o JPP, que está a crescer ao nível de confiança da população, impõe-se uma postura democrática de responsabilidade”, lê-se na nota do JPP.
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