Na nota de pesar, a administração da RTP, liderada por Nicolau Santos, “manifesta o seu mais profundo pesar pela morte de Francisco Pinto Balsemão, fundador e presidente do maior grupo privado de media em Portugal”.
Balsemão “é uma figura incontornável na defesa do jornalismo livre, independente e rigoroso, com um percurso que tem como marcos mais decisivos a fundação do semanário Expresso em 06 de janeiro de 1973 e posteriormente da SIC, o primeiro canal privado de televisão em Portugal, em 06 de outubro de 1992”, refere a RTP.
Ao longo do seu trajeto, Francisco Pinto Balsemão “sempre defendeu que a autonomia financeira dos projetos editoriais era essencial para preservar a sua independência de todos os poderes e deu provas de que aplicava a si mesmo essa defesa da liberdade de informação, mesmo quando era ele o objeto das notícias dos media”.
Sempre atento aos novos desenvolvimentos no setor, “dedicou os últimos anos a acompanhar as transformações radicais que o setor dos media foram conhecendo em todo o mundo, nomeadamente na área digital, com implicações profundas nos antigos modos de produção”, acrescenta.
A administração da RTP sublinha também que Balsemão “nunca deixou de se considerar jornalista e a prova disso é que ainda este ano conduziu um conjunto alargado de conversas com personalidades nacionais, disponibilizadas” sob a forma de podcasts.
“A ideia que transmitiu sucessivamente foi a de que gostaria, através de tudo o que realizou na sua vida, de deixar um mundo melhor do que aquele que tinha encontrado”, acrescenta.
“A Francisco Pedro Balsemão, atual CEO [presidente executivo] do grupo Impresa, aos seus familiares e a todos os colaboradores […], o Conselho de Administração da RTP apresenta as suas condolências”, lê-se na nota de pesar.
“Cumpre a todos os que trabalham no setor nunca deixar cair o exemplo e o legado de Francisco Pinto Balsemão em prol da independência dos media e da liberdade de informação dos jornalistas”, considera.
O Conselho de Ministros aprovou hoje o decreto de luto nacional de dois dias pela sua morte, a cumprir hoje e quinta-feira, disse à Lusa fonte do gabinete do primeiro-ministro.
Balsemão foi uma personalidade incontornável da história dos media em Portugal, um jornalista que nunca deixou de ser político, tendo como fio condutor a luta pela liberdade de expressão e o direito a informar.
Fundador do semanário Expresso, ainda durante a ditadura (1973), e da SIC, a primeira televisão privada em Portugal, morreu na terça-feira aos 88 anos, de causas naturais.
Em 1974, após o 25 de Abril, fundou, com Francisco Sá Carneiro e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde Partido Social Democrata PSD. Chefiou dois governos depois da morte de Sá Carneiro, entre 1981 e 1983, e foi, até agora, membro do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.
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