O advogado da família de Odair Moniz, José Semedo Fernandes, prestou mais declarações à saída do Tribunal de Sintra, onde esta quarta-feira começou o julgamento no âmbito da morte do cabo-verdiano.
Falando da arma branca, cuja pertença está a ser investigada, o advogado refere que “parece que não” era de Odair Moniz, com a família a não reconhecer a faca. “Houve uma acusação no sentido de que a arma ou foi colocada ou foi colocada à vista”, apontou, depois de repetir que na opinião da família a violência que foi usada contra o cabo-verdiano, que acabou por morrer, “não foi” proporcional – isto porque as imagens de videovigilância mostram alguma agressiva por parte da vítima.
“A agressividade após uma perseguição […] pode culminar com a morte de alguém num Estado de Direito?”, questionou, quando confrontando pelos jornalistas no local.
“Do Odair em princípio não era porque não há provas que indiciem e fundamentem isso”, reforçou, referindo-se à arma branca.
O advogado recusou que houvesse uma ação em legítima defesa por parte dos agentes da polícia. “Na minha opinião e na da família não”, apontou.
Já questionado sobre o que foi dito pelos agentes, de que se tentaram defender [de um esfaqueamento] e por isso dispararam, o advogado apontou: “Com que faca? […]. Há um outro processo, já é público, sobre colocação da faca.”
Ainda quanto ao pedido de desculpas de um dos agentes em tribunal, o advogado considerou: “Não deixa de ser relevante. É importante, [mas] mais importante é que se faça justiça.”
Bruno Pinto, de 28 anos, está acusado de homicídio e incorre numa pena de oito a 16 anos de prisão. Na acusação do Ministério Público não é referido qualquer ataque com faca.

Polícia acusado de matar Odair pede “desculpa” no início do julgamento
O agente da PSP acusado do homicídio de Odair Moniz pediu hoje desculpa, no início do julgamento, aos familiares e amigos do cidadão cabo-verdiano, morto a tiro em 21 de outubro de 2024 na Cova da Moura, Amadora.
Lusa | 10:30 – 22/10/2025
Sobre a noite em que Odair Moniz foi morto, a mulher contou que o marido saiu de casa pelas 20h30 de 20 de outubro de 2024 a dizer que já voltava e nunca regressou, não conseguindo encontrar uma explicação para que, pelas 05h25 do dia seguinte, este se encontrasse nas imediações da Cova da Moura, onde acabaria por ser baleado pelo agente da PSP após uma perseguição originada por uma infração rodoviária.
A próxima sessão do julgamento está agendada para 29 de outubro, no Tribunal Central Criminal de Sintra.
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