Mais de 100 mil trabalhadores da função pública saíram à rua, esta quinta-feira, para exigir melhores salários e recursos, na Nova Zelândia.
Professores, enfermeiros, médicos, bombeiros e funcionários operacionais marcham um pouco por todo o país. Contudo, os protestos em Wellington e Christchurch tiveram de ser cancelados, devido às más condições atmosféricas, noticiou a agência Reuters.
A médica do serviço de urgência do Hospital Middlemore e vice-presidente da Associação de Médicos Especialistas Assalariados (ASMS), Sylvia Boys, disse à multidão reunida na Praça Aotea, em Auckland, que o governo foi eleito com a promessa de reduzir o custo de vida, mantendo os serviços de primeira linha, mas que “estas são as questões em que estão a falhar miseravelmente”.
“O custo de vida piorou e, nas áreas da saúde e da educação, assistimos a cortes em todo o setor. Estamos a perder mais talento do que nunca”, disse.
Ainda assim, a ministra do Serviço Público, Judith Collins, disse na quarta-feira que a greve proposta era injusta, pouco produtiva e desnecessária.
“É uma manobra contra o governo, mas quem paga o preço são os milhares de pacientes que tiveram consultas e cirurgias canceladas e as centenas de milhares de crianças que perderam mais um dia de escola”, acusou.
O Executivo descartou, no entanto, que as manifestações fossem uma manobra política orquestrada pelos sindicatos, mesmo que evidenciem uma crescente inquietação pública em relação à governação.
Desde que assumiu o poder, em 2023, o governo conservador reduziu os gastos na função pública, numa tentativa de recuperar o superávit das contas governamentais. Assegurou, inclusive, que os cortes seriam feitos ao nível das operações administrativas e que as taxas de juros continuariam baixas, mas a economia da Nova Zelândia esteve em contração em três dos últimos cinco trimestres, o que levou um número historicamente elevado de cidadãos a abandonar o país. A inflação, apesar de abaixo do pico, também subiu nos últimos dois trimestres.
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