Ministro israelita desculpa-se por comentários “infelizes” sobre sauditas

Falando numa conferência sobre a possível anexação da Cisjordânia por Israel, o que poria fim à hipótese de criar um Estado palestiniano, Smotrich declarou: “Se a Arábia Saudita nos disser ‘Normalização em troca de um Estado palestiniano’ – meus amigos, não, obrigado”.

 

Em 2020, os Acordos de Abraão, patrocinados pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o seu primeiro mandato, levaram à normalização das relações entre Israel e vários países árabes.

No entanto, as negociações que visam a normalização entre a Arábia Saudita e Israel foram congeladas após o ataque do movimento islamita palestiniano Hamas a Israel, a 07 de outubro de 2023, que desencadeou no mesmo dia uma guerra de dois anos.

Riade condiciona qualquer normalização de relações diplomáticas à criação de um Estado palestiniano.

“Continuem a montar camelos no deserto saudita e nós, nós continuaremos a desenvolver-nos — com uma economia, uma sociedade, um Estado e todas as grandes e maravilhosas coisas que sabemos fazer”, acrescentou Bezalel Smotrich, suscitando fortes reações em Israel.

O líder da oposição, Yair Lapid, reagiu na rede social X, em árabe: “Aos nossos amigos do Reino da Arábia Saudita e do Médio Oriente, Smotrich não representa o Estado de Israel”. Em seguida, instou o ministro a apresentar um pedido de desculpas.

O ex-ministro da Defesa, Benny Gantz, sustentou que as declarações de Smotrich “demonstram ignorância e falta de consciência da sua responsabilidade como ministro de elevada importância do Governo”.

Smotrich é conhecido pelas suas declarações incendiárias, muitas vezes em desacordo com a linha oficial do Governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, do qual é um dos membros mais radicais.

“A entidade chamada Estado de Israel é o Estado de Israel em todas as suas fronteiras e nunca criará um Estado palestiniano”, sublinhou hoje.

Ministro da extrema-direita, Smotrich há muito que defende a anexação da Cisjordânia ocupada, onde reside, num dos seus cada vez mais colonatos — todos ilegais à luz do Direito Internacional.

Considerando que as suas palavras foram “inapropriadas”, Smotrich apresentou hoje, ao início da tarde, um pedido de desculpas público, num curto vídeo publicado na rede social X.

“As minhas declarações sobre a Arábia Saudita foram claramente inapropriadas e lamento qualquer ofensa que possa ter causado”, admitiu.

“Dito isto, espero também que os sauditas não nos prejudiquem e não neguem a herança, a tradição e os direitos do povo judeu à sua pátria histórica na Judeia e Samaria (nome dado por Israel à Cisjordânia), a fim de estabelecerem connosco uma verdadeira paz”, acrescentou.

O primeiro-ministro israelita atribuiu hoje a aprovação preliminar no parlamento da anexação da Cisjordânia a “uma provocação deliberada” da oposição, destinada a perturbar a visita do vice-presidente norte-americano, JD Vance, a Israel.

“A votação do Knesset (parlamento) sobre a anexação foi uma provocação política deliberada da oposição para semear a discórdia durante a visita”, declarou Benjamin Netanyahu num comunicado divulgado pelo seu gabinete.

Segundo o chefe do Governo israelita, as iniciativas legislativas de anexação da Cisjordânia e outra respeitante ao colonato de Maale Adumim, aprovadas na primeira de três leituras na quarta-feira, “foram patrocinadas por membros da oposição”.

No final de uma visita a Israel, o vice-presidente norte-americano classificou estas propostas como um “insulto” e um “movimento político estúpido”, em pleno cessar-fogo na Faixa de Gaza, que pôs termo a mais de dois anos de conflito entre Israel e os islamitas do Hamas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que foi o principal impulsionador da trégua na Faixa de Gaza, avisou, por seu lado, Israel de que “perderá o apoio de Washington” se avançar com a anexação da Cisjordânia, sublinhando que deu aos países árabes a sua palavra de que tal não aconteceria.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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