O caso do luso-brasileiro que ficou em prisão preventiva após ameaçar Stefani Costa, jornalista brasileira em Portugal, continua a dar que falar – por cá e também do outro lado do Oceano Atlântico.
Note-se que foi hoje conhecido que o suspeito, Bruno Lima, fica prisão preventiva, devido a acusações de crime de incitamento ao ódio – como oferecer um pagamento pela morte da jornalista.
Nas redes sociais, a vítima, Stefani Costa, escreveu esta quinta-feira: “Notícia histórica: Bruno Silva continuará preso! É a primeira vez em Portugal que alguém indiciado por ameaças e discurso de ódio recebe essa medida”.
Ainda na mesma publicação, Stefani Costa remata: “Agradeço o apoio da Opera Mundi e o carinho que tenho recebido de tanta gente boa. Jornalismo nunca foi para covardes”, escreveu a jornalista.
notícia histórica: Bruno Silva continuará preso!
é a primeira vez em Portugal que alguém indiciado por ameaças e discurso de ódio recebe essa medida. agradeço o apoio de @operamundi e o carinho que tenho recebido de tanta gente boa ️
jornalismo nunca foi para covardes pic.twitter.com/EXvh7S1CbD
— Stefani Costa (@sttefanicosta) October 23, 2025
Do apartamento em Lisboa à detenção
O caso foi conhecido na terça-feira, quando a Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de um homem luso-brasileiro, de 30 anos, por estar fortemente indiciado de ter difundido nas redes sociais uma publicação na qual incita à violência contra um grupo de pessoas de nacionalidade estrangeira.
Em comunicado, a PJ explicava desde logo que, “nessa publicação, o suspeito oferece como recompensa um apartamento no centro de Lisboa a quem realizasse um massacre e exterminasse determinados cidadãos estrangeiros e um bónus adicional de 100 mil euros a quem tentasse contra a vida de uma jornalista brasileira que trabalha em Portugal“, que é Stefani Costa.
“A divulgação da referida publicação tornou-se viral, com enorme repercussão e alarme social, afetando gravemente o sentimento de tranquilidade, de segurança e da paz pública, gerando a indignação e o repúdio em vários quadrantes”, lia-se ainda na nota da PJ.
Já na altura em que foi conhecida a detenção, a CNN Portugal adiantava que suspeito era um elemento de extrema-direita, algo que o g1 também destaca. A queixa terá sido apresentada com o apoio da Embaixada do Brasil, depois das ameaças acontecerem em setembro. Várias imagens partilhadas nas rede sociais mostram associações ao grupo ultranacionalista e neonazi 1143.
Stefani não foi a única a ser ameaçada
Nas redes sociais, é ainda possível ver publicações onde é referido também o nome de uma outra jornalista: Amanda Lima, que trabalha no Diário de Notícias Brasil.
Na terça-feira, Amanda Lima escrevia na rede social X (antigo Twitter): “O Bruno Silva foi detido. Minhas lágrimas neste momento são de alívio. Mais de um ano depois da minha primeira queixa na PJ contra ele. Hoje é um dia em que me sinto mais segura em Portugal, mas ainda há muitos mais que continuam impunes”.
O Bruno Silva foi detido. Minhas lágrimas neste momento são de alívio. Mais de um ano depois da minha primeira queixa na PJ contra ele. Hoje é um dia em que me sinto mais segura em Portugal, mas ainda há muitos mais que continuam impunes. pic.twitter.com/HvcSPQNwzX
— Amanda Lima (@amandalimajor) October 21, 2025
À CNN Portugal, Amanda Lima explicou que a queixa apresentada foi em julho do ano passado e que se dirigia não só ao homem identificado como Bruno Silva, mas “contra várias pessoas” que a ameaçaram na internet.
O homem fazia parte também de um grupo de Telegram intitulado de ‘RCE CHAT’, onde divulgava notícias escritas por Amanda Lima, acompanhadas com comentários como: “Quando é que a Amanda Lima será deportada para o Brasil”. Em resposta, um outro utilizador dentificado como Mário Machado respondeu à mensagem: “Bem vindo maior racista português ahahaha”. Recorde-se que Mário Machado, de 49 anos foi condenado a cumprir dois anos e dez meses de prisão depois de ser dado como provado o incitamento ao ódio e à violência contra mulheres, nomeadamente, de Esquerda. Machado, militante neonazi, foi detido para começar a cumprir pena em maio deste ano.
O Bruno Silva foi detido. Minhas lágrimas neste momento são de alívio. Mais de um ano depois da minha primeira queixa na PJ contra ele. Hoje é um dia em que me sinto mais segura em Portugal, mas ainda há muitos mais que continuam impunes. pic.twitter.com/HvcSPQNwzX
— Amanda Lima (@amandalimajor) October 21, 2025
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