Sucesso do Flamengo com ‘mão’ portuguesa. Como José Boto mudou o Mengão

O Flamengo está a um passo de voltar a uma final da Taça Libertadores. O clube do Rio de Janeiro ganhou vantagem na meia-final da competição, tendo vencido, no jogo da primeira mão, os argentinos do Racing por 1-0, no Estádio Maracanã. Mas não é só na competição continental que o Mengão tem dado cartas nos últimos meses.

 

O conjunto canarinho segue na liderança do Brasileirão em igualdade pontual com o Palmeiras, de Abel Ferreira, e já venceu o Campeonato Carioca e a Supercopa do Brasil. Além disso, conseguiu uma excelente prestação no Campeonato do Mundo de Clubes, dado que foi a única equipa que conseguiu derrotar o vencedor Chelsea.

Filipe Luís é o treinador do Flamengo e a cara deste sucesso dos brasileiros, mas há também outro nome que tem ajudado neste período vitorioso. Pouco mais de sete meses após ter sido anunciado como novo diretor do departamento de futebol profissional do Flamengo, José Boto não tardou em dar que falar no Brasil (e não só), por força do trabalho digno de registo desempenhado desde que chegou ao Rio de Janeiro.

Depois de no início desta ligação ao Flamengo ter sido criticado pela falta de reforços, José Boto colocou mãos à obra e fechou a contratação de vários reforços sonantes que têm estado em destaque sob a orientação de Filipe Luís, com quem o dirigente português tem uma relação muito boa e a quem o ex-Benfica aponta um futuro risonho.

O principal destaque foi mesmo a chegada de Samuel Lino, que passou mesmo a ser a contratação mais cara da história do emblema carioca, a troco de 22 milhões de euros (mais dois em variáveis. O ex-jogador do Atlético de Madrid (e que chegou a ser destaque no Gil Vicente), aceitou voltar ao Brasil quando tinha vários clubes europeus no seu encalce.

A custo zero, chegaram ao Flamengo antigos nomes fortes do futebol europeu como Danilo (ex-FC Porto) e Jorginho (ex-Chelsea e Arsenal). José Boto foi importante na forma em como lhes explicou o projeto e as ambições do clube. Já sobre Saúl Ñíguez (ex-Atlético de Madrid), o médio espanhol estava praticamente fechado no Trabzonspor e pronto para viajar para a Turquia, mas o português convenceu o jogador a assinar pelo Flamengo.

Outro jogadores que reforçaram o Mengão no verão passado foram Juninho Vieira (ex-Estoril e Desportivo de Chaves), por 5 milhões de euros, bem como Emerson Royal (ex-AC Milan), por 9 milhões, sendo que também Jorge Carrascal (ex-River Plate) está a ser negociado por 12 milhões de euros com o Dynamo Moscovo.

“Sporting comprou Gyokeres por 20 milhões, mas se fosse para o Flamengo…”

José Boto, diretor desportivo do Flamengo, comparou as culturas de mercado de transferências do campeonato brasileiro e das principais ligas europeias, utilizando o exemplo da chegada de Viktor Gyokeres ao Sporting.

Davide Rodrigues Araújo | 13:32 – 19/09/2025

A política de contratações passou por trazer para o clube jogadores com experiência na Europa para aumentar o nível interno e, nesse sentido, lutar não só pelos títulos nacionais, como também o continental, no caso a Libertadores. Desta forma, os jogadores que já estavam no plantel poderiam evoluir com jogadores com carimbo europeu ao seu lado.

Outros jogadores houve que estiveram associados ao Flamengo no último mercado de transferências. No verão passado houve contactos entre o clube do Rio de Janeiro e João Félix, antes de o internacional português rumar ao Al Nassr, onde tem brilhado sob a orientação de Jorge Jesus e na companhia do compatriota Cristiano Ronaldo.

No cômputo geral, o Flamengo investiu cerca de 50 milhões de euros em reforços, sendo que, em sentido inverso, foram encaixados mais de 70 milhões de euros em vendas, desde as saídas de Gerson (25 milhões de euros) e Fabrício Bruno (7 milhões de euros) para Zenit e Cruzeiro, respetivamente, às transferências respetivas de Wesley (25 milhões, mais 5 em bónus) e Carlos Alcaraz (15 milhões, mais três em bónus) para AS Roma e Everton.

Passado recente é recheado de sucessos

Aos 59 anos, José Boto tem tido um papel importante neste sucesso do Flamengo. Ainda assim, teve de se destacar noutras paragens antes de cair nas boas graças dos brasileiros. Ao longo dos últimos anos, construiu uma carreira no mundo do futebol que se dividiu entre o cargo de treinador e as funções de scouting.

Para além de ter sido técnico em modestas equipas como Loures e Sacavenense, foi ainda olheiro do Sporting entre 1997 e 2001. Mas foi no Benfica que se notabilizou como chefe de scouting, entre 2007 e 2018, sob a liderança de Luís Filipe Vieira.

Durante esse período no encarnados, José Boto viu chegarem nomes como os de Witsel, Matic, Enzo Pérez, David Luiz, Ángel Di María, Lazar Markovic, Rodrigo Moreno, Ramires, Javi García, Fábio Coentrão, Nélson Semedo, Ederson, Nico Gaitán e Oblak. Do lado das saídas, o Benfica amealhou muito dinheiro com as saídas de jogadores como Bernardo Silva, Ederson, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes, Renato Sanches ou Oblak.

Terminada a sua passagem por Portugal, José Boto rumou ao estrangeiro e tornou-se no diretor desportivo do Shakhtar Donetsk (2018-2021), tendo papel fundamental na chegada do italiano Roberto de Zerbi em 2021/22. Rumou depois aos gregos do PAOK (2021-2023). No período em funções no emblema de Salónica, teve a oportunidade de contratar Viktor Gyokeres, na altura nos ingleses do Coventry, mas não conseguiu convencer a direção do PAOK a contratá-lo. O presidente do clube não acreditava no seu sucesso.

Seguiu-se a ida para os croatas do NK Osijek (2023-2024), até que rumou ao Flamengo, em dezembro de 2024, para ser mais um português a fazer história no clube carioca, à semelhança do que tinha acontecido com Jorge Jesus que um Brasileirão (2019), uma Libertadores (2019), uma Taça do Brasil (2020) e uma Recopa sul-americana (2020) no Mengão.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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