A cerimónia de entrega de prémios começou ao princípio da noite na Culturgest, e foi seguida pela exibição de ‘A Árvore do Conhecimento’, de Eugène Green, filme de encerramento do festival que termina no domingo.
Para o júri do galardão, ‘The Night Is Fading Away’ (‘A noite está a acabar’, em tradução livre) “celebra o cinema como a derradeira aventura coletiva, onde a imaginação e a solidariedade iluminam o caminho na escuridão”.
O filme narra a história de um projecionista solitário que, após perder a casa e ser despromovido, passa a viver secretamente no cinema onde trabalhava, transformando-o num refúgio para si próprio e para amigos sem-abrigo, redescobrindo assim um propósito, segundo a sinopse.
Descoberto o segredo, o projecionista desafia as autoridades para tentar recuperar o espaço, numa narrativa que presta homenagem à sétima arte como lugar crucial de convívio e resistência, sobretudo em tempos difíceis na Argentina contemporânea.
O Prémio Doclisboa do júri da competição internacional distinguiu ‘Tell Me a Fairy Tale’ (‘Conta-me um conto de fadas’, em tradução livre), de Ebrû Avci (Turquia), “um filme elegante, honesto e desarmante na sua simplicidade, que revela o quanto se pode dizer com tão pouco, encontrando profundidade em gestos silenciosos e verdade na contenção”.
Já o Prémio Médicos Sem Fronteiras – Portugal para Melhor Realização da competição internacional foi entregue a ‘Fantasy’, de Isabel Pagliai (França), “um retrato íntimo, ternurento e visceral do luto, do amor e da saudade, uma poesia em bruto que permanece viva na sua fragilidade”, segundo o júri.
Na competição portuguesa, o Prémio Doclisboa para Melhor Filme foi atribuído a ‘Água Mãe’, de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres (Portugal), “uma obra elegante e corajosa que eleva o quotidiano ao sublime, convidando-nos a experienciar um mundo para lá do cinema”.
O Prémio Sociedade Portuguesa de Autores do júri da competição portuguesa distinguiu ‘As Estações’, de Maureen Fazendeiro, “um filme tátil e envolvente, que combina um passado descoberto com um presente quase fora do tempo”, considerou o júri.
Relativamente ao Prémio Escola – Escola de Tecnologias Inovação e Criação foi atribuído a ‘Explode São Paulo, Gil’, de Maria Clara Escobar, “um trabalho colaborativo de sensibilidade punk e generosidade, onde o sonho e a realidade coexistem num gesto de pura vitalidade cinematográfica”.
‘Complô’, de João Miller Guerra, teve uma menção honrosa nesta categoria do festival, enquanto na Competição Verdes Anos, o Prémio Conserveira de Lisboa para Melhor Filme foi para ‘Ping Pong’, de Tianji Yu.
Quanto ao Prémio Pedro Fortes para Melhor Realização Portuguesa foi entregue a ‘Se Eu Não Morresse Nunca!’ de David Falcão, e ‘I Lit the Fire!’ (‘Eu acendi o fogo’, em tradução livre), de Valeria Lemeshevskaya (Quirguistão, Bielorrúsia, Azerbaijão) foi distinguido com uma menção honrosa.
Na competição transversal, o Prémio Revelação – Doclisboa para Melhor Primeira Longa-Metragem foi atribuído a ‘Under the Flags, the Sun’ (‘Debaixo das bandeiras, o sol’, em tradução livre), de Juanjo Pereira (Paraguai), enquanto ‘Do You Love Me’ (‘Amas-me’, em tradução livre) (França,Catar, Líbano, Alemanha), de Lana Daher, teve uma menção honrosa.
O Prémio para Melhor Curta-Metragem distinguiu ‘Baumettes Studio’, de Hassen Ferhani (França) e o Prémio Lugares de Trabalho Seguros e Saudáveis – Agência Europeia para a Segurança no Trabalho foi entregue a ‘Wishful Filming’, de Sarah Vanagt (Bélgica).
Nos prémios do público, ‘Aurora’, de João Vieira Torres, venceu o Prémio do Público Legal Partners Direitos e Liberdades, enquanto ‘Soco a Soco’, de Diogo Varela Silva, venceu o Prémio Canais TVCine.
A 23.ª edição do Doclisboa decorreu ao longo de onze dias, reunindo cerca de 20 mil espetadores, entre sessões esgotadas, conversas com realizadores e encontros com o público, segundo a organização.
Foi ainda realizada uma homenagem à cineasta, montadora e atriz Patrícia Saramago, falecida na quinta-feira.
As sessões de exibição dos filmes premiados desta edição do Doclisboa decorrerão entre segunda e quarta-feira no Cinema Ideal, em Lisboa.
O Doclisboa regressa em 2026, de 15 a 25 de outubro, com a Grécia como país convidado, anunciaram.
Leia Também: Festival de cinema DocLisboa abre hoje de olhos postos em Gaza