PCP propõe salário mínimo de 1.050 euros e aumento de 5% das pensões

As dez primeiras propostas da bancada do PCP no âmbito do processo orçamental foram divulgadas em conferência de imprensa na Assembleia da República pela líder parlamentar comunista, Paula Santos, que acusou o Governo de Luís Montenegro de estar apenas empenhado em “ter um excedente à custa do investimento público”.

 

A bancada comunista propõe que o Salário Mínimo Nacional, atualmente fixado nos 870 euros, passe para 1.050 a partir do próximo ano, e propõe ainda uma “valorização do poder de compra dos trabalhadores da Administração Pública, incluindo dos trabalhadores do setor público empresarial e do setor empresarial local”.

Esta valorização, de acordo com Paula Santos, deve ter em conta que “as perdas acumuladas de poder de compra superiores a 20%” que estes trabalhadores sofrem “desde 2010”, e deve ser fechada em negociação coletiva pelo Governo, com o PCP a propor como referência um aumento mínimo de 150 euros.

No que toca ao subsídio de alimentação, a bancada comunista considera que este valor dever ser atualizado para os 12 euros diários.

O PCP insiste num aumento das pensões no valor de 5%, “salvaguardando um aumento mínimo de 75 euros por pensionista”, considerando que a atualização prevista pelo Governo “fica aquém daquilo que se impõe”.

Na área da saúde, os comunistas vão voltar a propor a implementação de um regime de dedicação exclusiva para profissionais do setor, “com majoração em 50% da remuneração base e a majoração da progressão na carreira”, bem como a dispensa gratuita de medicamentos nos centros de saúde e nas farmácias comunitárias para utentes com mais de 65 anos, doentes crónicos e “em caso de insuficiência económica”.

A criação de uma rede pública de creches em 2026 é outra das prioridades do PCP, que estabelece como objetivo alcançar uma cobertura de todo o território até 2031.

Um dia depois de vários estudantes se terem manifestado em Lisboa para defender o fim das propinas e o reforço da ação social, com críticas ao Governo pelo descongelamento anunciado para 2026, o PCP propõe a eliminação das propinas “de licenciatura, mestrado integrado, mestrado, doutoramento, pós-graduações e cursos técnicos superiores profissionais, assim como a eliminação das taxas e emolumentos”.

Esta eliminação deverá ser feita “em dois anos, prevendo a devida compensação às instituições de ensino superior”, adiantou Paula Santos, que criticou que “54% das receitas próprias das instituições de ensino superior” tenham essa origem.

Na habitação, o PCP quer que os contratos de arrendamento tenham uma duração não inferior a 10 anos, limitar os despejos e os valores de renda dos novos contratos, “assegurando por essa via, não apenas a regulação, mas a redução dos preços praticados”.

A bancada comunista também propõe que o preço do gás engarrafado seja fixado em 20 euros.

Interrogada sobre o impacto orçamental destas medidas, Paula Santos adiantou que o partido irá apresentar outras propostas compensatórias, mas realçou que a redução do IRC proposta pelo Governo significará “uma abdicação de receita na ordem de dois mil milhões de euros” e criticou as opções do executivo PSD/CDS-PP.

O caminho proposto pelo PCP é outro, notou a líder parlamentar comunista, defendendo “uma política fiscal justa, um desenvolvimento económico que ponha o nosso país a produzir” e “uma justa distribuição da riqueza que é criada”, ao invés de “ser apropriada pelos grupos económicos”. 

O Orçamento do Estado para 2026 foi aprovado na generalidade na terça-feira,no parlamento, com votos a favor de PSD e CDS-PP e abstenções de PS, PAN e JPP.

Chega, IL, Livre, PCP e BE votaram contra a proposta do Governo PSD/CDS-PP.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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