Ministro da Habitação sai em defesa do IHRU (e desvaloriza queixas)

Em audição na Assembleia da República, no âmbito da apreciação, na especialidade, da proposta de Orçamento do Estado para 2026, Miguel Pinto Luz garantiu que “o Porta 65 está a cumprir os passos que a legislação exige, 45 dias de resposta”.

 

A garantia foi dada em resposta ao Chega, que criticou a resposta do IHRU àquele e outros programas de apoio à renda.

“Temos milhares de famílias que desesperam nesta altura pelos apoios (…), o IHRU não dá resposta a nada, é um escândalo o que está a acontecer, temos famílias a aguardar por resposta há mais de um ano”, apontara o deputado Carlos Barbosa (Chega), perguntando quando é que a situação será resolvida.

Em resposta, o ministro saiu em defesa do IHRU e negou que estejam a ser disponibilizadas “apenas 20 senhas por dia”, como tem sido denunciado por movimentos de habitação e pelas próprias pessoas que recorrem ao instituto para tentar resolver os seus processos.

“O IHRU não tem só 20 senhas por dia, tem 20 senhas em Lisboa e 14 no Porto para o PAER [Programa de Apoio Extraordinário à Renda]”, sublinhou o ministro, acrescentando que o instituto emite “167 senhas todos os dias”, para dar resposta a tudo o que está na sua competência.

“Todos os meses o IHRU atende quase quatro mil pessoas”, assinalou.

Além disso, “existem incongruências” no PAER.

“Havia pessoas, famílias, a receber renda quando já não deviam receber renda”, realçou, elogiando o governo socialista de António Costa por ter adotado uma portaria para resolver estes casos.

“Tem de se resolver a incongruência e só depois é que se pode pagar”, disse Pinto Luz, dando exemplos de disparidades: o IRS de senhorio e de inquilino “não baterem certo um com o outro” ou pessoas com rendimento zero que têm de explicar como pagam a renda.

O ministro acusou o Chega de “encher a boca constantemente com justiça e rigor” e depois criticar que se resolvam “incongruências” antes de atribuir apoios. “É um dia sim, um dia não, é catavento”, atirou.

Na segunda-feira, em reação a protestos organizados pelo movimento Porta a Porta, o IHRU rejeitou que existam atrasos e suspensões nos apoios à renda.

Em comunicado, negou qualquer corte no PAER, que atualmente beneficia “mais de 134.100 inquilinos”.

No entanto, reconheceu que existem constrangimentos administrativos relacionados com a validação de dados, que afetam cerca de 43 mil beneficiários.

O Porta a Porta organizou concentrações junto às instalações do IHRU em Lisboa e no Porto, para exigir um serviço que dê resposta aos pedidos de apoio à renda.

Em declarações à Lusa, em 14 de outubro, no final de uma audiência na Assembleia da República, o presidente do IHRU, António Costa Pereira, admitiu que o cenário é “gravíssimo”, reconhecendo a demora na resposta aos beneficiários do PAER com a respetiva situação por resolver.

Leia Também: IP vai fazer “levantamento técnico exaustivo” das necessidades da EN2

Fonte: www.noticiasaominuto.com

Scroll to Top