Já na secção Ponto de Encontro, dedicada a “ficções que oferecem um diálogo aberto com os espectadores”, o vencedor foi ‘O Riso e a Faca’, de Pedro Pinho, enquanto ‘Bulakna’, de Leonor Noivo, ganhou o prémio de melhor filme da secção Alquimias, “espaço do festival para obras de caráter surpreendente […] que demonstram que ainda se podem propor inovações na linguagem cinematográfica”.
Nas curtas-metragens, ‘Cão Sozinho’, de Marta Reis Andrade, recebeu uma Espiga de Prata, numa categoria em que a Espiga de Ouro foi para ‘Living Stones’, do realizador alemão Jakob Ladányi Jancsó.
Em comunicado, a organização assinalou que o júri da competição principal (do qual fez parte o português João Pedro Rodrigues) atribuiu a Espiga de Ouro ‘ex aequo’ a ‘Magalhães e a ‘The Mastermind’, de Kelly Reichardt, algo que aconteceu pela quarta vez na história do evento, depois de 1963, 1971 e 1984.
‘Magalhães’ é uma coprodução entre as Filipinas, Espanha e Portugal (Rosa Filmes), onde teve filmagens, e entrou na corrida aos Óscares pelo país natal do realizador, para uma nomeação na categoria de Melhor Filme Internacional.
‘Magalhães’, que teve estreia em maio em Cannes, é protagonizado pelo ator mexicano Gael García Bernal no papel do navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521), que encetou a viagem de circum-navegação e morreu nas Filipinas.
O filme, que se foca nos últimos meses de vida de Magalhães e no encontro com a população nativa das Filipinas, conta ainda com a participação da atriz Ângela Machado, no papel de Beatriz Barbosa, mulher do navegador, e dos atores Tomás Alves, Rafael Morais, Ivo Arroja, Valdemar Santos, entre outros.
‘O Riso e a Faca’ – que chegou às salas de cinema portuguesas esta semana – é a segunda longa-metragem de ficção de Pedro Pinho e estreou-se em maio no Festival de Cinema de Cannes, em França, valendo à atriz Cleo Diára um prémio de representação.
‘Bulakna’ é uma primeira longa-metragem da realizadora Leonor Noivo e “acompanha mulheres filipinas que hoje enfrentam uma nova forma de colonização: a migração forçada pelo trabalho”, refere a produtora Terratreme Filmes.
‘Cão Sozinho’ parte da “história real de um cão deixado ao abandono na sua própria casa, no tempo em que o meu avô começou a experienciar a sua viuvez e eu regressava de Londres, lugar onde me senti mais sozinha que nunca”, refere a sinopse.
Produzido pela cooperativa de cinema de animação BAP Animation Studios em coprodução com França, ‘Cão Sozinho’ foi premiado em julho num festival de cinema no Kosovo e obteve outras menções especiais em contexto de festivais na Croácia.
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