“A tendência vai ser de subida, esperamos que seja controlada”, afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara do Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, que adiantou esperar que o nível da água do Douro “não saia da capacidade de armazenamento que existe após a inundação do cais”.
Na terça-feira, o município do sul do distrito de Vila Real interditou a zona ribeirinha da cidade, nomeadamente as zonas dos cais da Régua e da Junqueira e a ciclovia que se estende junto ao rio.
Depois de uma subida verificada durante a noite, o caudal do rio desceu durante o dia, mas voltou, agora, a aumentar e a submergir parte dos edifícios localizados no cais, nomeadamente o bar de onde, previamente, já tinham sido retirados equipamentos e materiais.
José Manuel Gonçalves disse que a noite vai ser de monitorização permanente do caudal do rio até porque, explicou, “há uma pressão grande”.
Durante o dia choveu muito na região, começou a verificar-se o degelo da neve que caiu e são grandes os caudais provenientes de Espanha.
“Está a haver uma gestão cuidada, mas neste momento temos essa preocupação”, assegurou.
Na terça-feira foi ativado alerta laranja de cheias na Via Navegável do Douro (VND) e impedida a navegação às embarcações com menos de 12 metros de comprimento, mantendo-se interdita a navegação noturna e a cinco quilómetros das barragens.
Em comunicado, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) adiantou que, com a ativação do alerta laranja de cheias para toda a VND, depois do agravamento das condições hidrológicas e meteorológicas, foram implementadas medidas e condicionamentos na via que tem uma extensão de 208 quilómetros, entre a barra do Douro (Porto) e o local transfronteiriço de Barca D’Alva.
Depois da depressão Joseph, a passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causou cinco mortos e vários desalojados.
Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.
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