O líder da república russa da Chechénia, Ramzan Kadyrov, afirmou esta quinta-feira que é contra as negociações para um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, defendendo que “a guerra deve ser levada até ao fim”.
“Acredito que a guerra deve ser levada até ao fim. Negociações depois de tudo o que foi feito… Sou contra elas”, disse, em declarações aos jornalistas no Kremlin.
Kadyrov já tinha partilhado a sua opinião sobre o fim da guerra em setembro de 2025, afirmando ser contra “o fim das hostilidades” e que a paz só será possível “se a Ucrânia se tornar uma região ou distrito da Rússia”.
“Não sou de forma alguma a favor do fim das hostilidades na situação atual na região. Acredito que não é do nosso interesse parar as hostilidades agora… Os objetivos e metas da operação militar especial não são tirados do nada. São uma garantia da segurança de todo o nosso país. A paz nas nossas fronteiras só será possível quando a Ucrânia se tornar uma região ou distrito da Rússia”, defendeu na altura.
Antes, em 2024, o líder da república russa da Chechénia, propôs colocar os soldados ucranianos prisioneiros como escudos humanos, após um ataque de drones das forças ucranianas contra um quartel na capital chechena, Grozny.
Na segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, revelou que as conversações entre as delegações russa, ucraniana e norte-americana, que aconteceram na semana passada em Abu Dhabi, foram realizadas “com espírito construtivo”.

Ucrânia? Negociações em Abu Dhabi decorreram em “espírito construtivo”
As conversações entre as delegações russa, ucraniana e norte-americana, que aconteceram na semana passada em Abu Dhabi, foram realizadas “com espírito construtivo”, afirmou hoje o porta-voz da presidência russa (Kremlin), Dmitri Peskov.
Lusa | 09:28 – 26/01/2026
Estas conversações, que decorreram na sexta-feira e no sábado, são as primeiras negociações diretas conhecidas entre Moscovo e Kyiv sobre o plano norte-americano para resolver o conflito, desencadeado pela ofensiva russa em grande escala contra a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
As negociações para colocar fim a esta guerra estavam paralisadas, particularmente na questão territorial.
Na sexta-feira, pouco antes do início das conversações entre as partes, o Kremlin reiterou que Kyiv deve retirar as suas tropas do Donbass, uma região industrial e mineira no leste da Ucrânia, amplamente controlada por Moscovo. Esta condição tem sido repetidamente rejeitada por Kyiv.
As negociações serão retomadas a 1 fevereiro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, segundo um responsável norte-americano.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por sua vez, indicou no sábado que “muitos assuntos foram discutidos e que é importante que as discussões tenham sido construtivas”, sem fornecer mais detalhes sobre o conteúdo das conversas.
Estes esforços diplomáticos ocorrem quando centenas de milhares de ucranianos estão mergulhados na escuridão e no frio devido aos intensos bombardeamentos russos às infraestruturas energéticas, sendo que a capital ucraniana, Kyiv, foi particularmente afetada.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

Ucrânia com -30°C enquanto russos visam centrais energéticas
A temperatura na Ucrânia poderá descer até aos 30 graus Celsius negativos nos primeiros dias de fevereiro, previu hoje a agência meteorológica ucraniana, numa altura em que ataques russos visam infraestruturas energéticas.
Lusa | 14:26 – 29/01/2026