Passos de Israel para permitir ajuda em Gaza são insuficientes, dizem EUA

“Vimos alguns progressos nalgumas coisas (…), mas ninguém no Governo dos EUA vos dirá que estamos satisfeitos ou que consideramos satisfatória a situação humanitária em qualquer parte de Gaza”, disse o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Vedant Patel, numa conferência de imprensa.

 

O governo dos EUA enviou uma carta a Israel no dia 15, avisando que, se não melhorasse a situação humanitária em Gaza, permitindo a entrada de ajuda durante o próximo mês, poderia violar as regras dos EUA sobre assistência militar estrangeira e perder a ajuda que recebe.

Os secretários de Estado Antony Blinken e da Defesa Lloyd Austin enviaram a carta aos seus homólogos, o ministro da Defesa israelita Yoav Gallant e o ministro dos Assuntos Estratégicos Ron Dermer.

Desde que a missiva foi enviada, Patel afirmou que foram registados alguns “esforços”, como “a reabertura da rota a partir da Jordânia” e “a reabertura da passagem de Erez no norte”.

“Vários postos fronteiriços estão abertos. Estamos a assistir à entrada de camiões na Faixa de Gaza e vamos continuar a insistir para que haja mais, porque são necessários mais alimentos, mais água, mais ajuda humanitária em geral”, afirmou, insistindo que “é preciso fazer mais”.

Pressionar o Governo de Netanyahu para permitir a entrada de ajuda em Gaza é um dos objetivos da viagem que Blinken iniciou hoje ao Médio Oriente.

O coordenador da ONU para o processo de paz no Médio Oriente, Tor Wennesland, alertou hoje para o “pesadelo” que se vive na Faixa de Gaza, após duas semanas de intensos ataques israelitas no norte do enclave.

“No norte da Faixa de Gaza estão a acontecer cenas horripilantes no meio do conflito, dos incessantes ataques israelitas e uma crise humanitária cada vez pior”, vincou o coordenador.

As declarações foram feitas depois de no sábado à noite um bombardeamento israelita com aviões de combate contra uma rotunda e um complexo residencial em Beit Lahia (norte) provocar 87 mortos e desaparecidos e pelo menos 40 feridos, segundo as autoridades de saúde do enclave, governado pelo grupo islamita Hamas.

A agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA) avisou hoje que as operações israelitas no acampamento, o maior da Faixa, põem “centenas de milhares de pessoas em grave perigo”, enquanto impedem o acesso a necessidades básicas como comida ou água potável.

“Deve permitir-se o acesso às equipas humanitárias e de resgate, sem demora, para salvar vidas”, afirmou o organismo, numa mensagem nas redes sociais.

Em Jabalia, fontes locais disseram à agência EFE que milhares de pessoas continuam a viver na zona sem comida, nem bebida e que há dezenas de cadáveres nas ruas.

Fontes do Ministério da Saúde de Gaza confirmaram no sábado que cerca de 500 pessoas morreram nas últimas semanas no norte do enclave e que os ataques contra os hospitais impedem o atendimento às vítimas.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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