Os manifestantes concentrados desde sábado na Praça D. João I, no Porto, vão manter-se concentrados e vão voltar a montar tendas no local esta noite, conforme decidido hoje em assembleia popular, revelou o porta-voz Pedro Manuel.
Em declarações após a manifestação, seguida de assembleia popular, que reuniu mais de 500 pessoas naquela praça da baixa portuense, Pedro Manuel revelou que a vontade das pessoas, ditada por braço no ar, “foi que continuassem o protesto [contra a crise na habitação]na praça e, novamente, a dormir em tendas”.
“Convocamos o povo para decidir se querem que acampemos para continuar a protestar. O povo quer, vamos acampar, estamos a levantar as tendas”, revelou o jovem estudante de jornalismo, que estimou em cerca de 60 as tendas que irão ser montadas nas próximas horas para, dessa forma, continuarem o protesto.
Questionado se não temem nova investida, na quinta-feira de manhã, da Polícia Municipal para retirar as tendas, o porta-voz admitiu que “a expectativa, infelizmente, é essa”, lamentando que a polícia, de quem disse terem “recebido apoio individual”, enquanto instituição esteja “a mando da câmara que protege os interesses que causam a crise que estão a combater”.
Sobre a legitimidade para continuarem o protesto na praça, Pedro Manuel assumiu terem “autorização para manifestação até dia 20”, argumentando, sobre a questão das tendas “terem o mesmo tipo de autorização que tinha a polícia da câmara quando veio cá retirar as tendas, que é nenhuma, porque não apresentaram ordem de dispersão formal e mantém as tendas apreendidas num processo totalmente feito à margem da formalidade e da burocracia legal”.
Outra expectativa do grupo de jovens em protesto desde sábado, no Porto, é a de “continuarem a crescer e não só no Porto”, afirmando que estão a apelar para que o mesmo possa “acontecer em outras cidades, como já está convocado em Lisboa para sábado”.
“O apoio que temos é popular, temos indivíduos de todas as áreas, espetro político, temos idosos, jovens, crianças, trabalhadores, estudantes, temos pessoas de vários partidos que vêm, não institucionalmente, mas pessoalmente, porque esta é uma luta de todos, é uma luta de todos os portugueses, todos os que vivem em Portugal, que querem habitar em Portugal, em Espanha, Itália, França, é uma luta geral”, insistiu.
Na manhã de segunda-feira, a Polícia Municipal retirou as cerca de 50 tendas que estavam armadas naquela praça.
Na segunda-feira, a Câmara garantiu que o acampamento em protesto contra os preços da habitação estava a ocupar indevidamente o espaço público, razão pela qual foi retirado pelas autoridades.
Em comunicado, a autarquia indicou que “a ocupação da Praça D. João I através da instalação de um acampamento foi avaliada pelas entidades competentes e forças de segurança, a quem cabe atuar em conformidade com a lei, não permitindo a ocupação ilegal e degradação do espaço público”.
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