O Irão respondeu hoje a acusações da Arábia Saudita de alimentar o conflito com os Huthis, apoiando militarmente os rebeldes iemenitas, dizendo que estes agem segundo “interesses próprios”.
Depois de o vice-ministro saudita responsável pela diplomacia, Rayed Krimly, ter acusado Teerão na quinta-feira de continuar a “armar, treinar e apoiar” os Huthis, incentivando “a escalada” dos ataques contra Riade, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, afirmou hoje em comunicado que os Huthis “agem de acordo com os seus próprios interesses e as suas próprias análises”.
“As alegações [sauditas] carecem de credibilidade aos olhos daqueles que conhecem bem as relações entre o Irão e os seus aliados”, adiantou.
Apesar de aliada dos Huthis – parte do chamado “eixo da resistência” anti-Israel que inclui movimentos islamitas como o Hamas e o Hezbollah – a República Islâmica alega estar disposta a atuar como mediador do conflito, “caso seja solicitado por qualquer das partes”.
A dimensão recente dos ataques Huthis, que visam, nomeadamente, as infraestruturas petrolíferas e os aeroportos sauditas, é inédita desde o início, em 2014, da guerra no Iémen entre os rebeldes e o governo internacionalmente reconhecido.
O aeroporto internacional da capital do reino foi alvo de ataques em 20 ocasiões desde o início de outubro; no passado sábado, as investidas no local fizeram 13 mortos e mais de 300 feridos.
A coligação liderada pela Arábia Saudita anunciou hoje ter intercetado mísseis e drones sobre Riade e outras regiões do país, alvo, desde o início deste mês, de ataques quase diários dos Huthis do Iémen.
«Intercetámos e destruímos três drones no sul do país e em Riade […] bem como dois mísseis de cruzeiro sobre o mar Vermelho», escreveu na rede social X o porta-voz da coligação, Turki al-Malki.
O porta-voz acrescentou que foi também intercetado um «míssil balístico» sobre Yanbu, o principal terminal petrolífero do reino no mar Vermelho. A Arábia Saudita é o maior exportador mundial de petróleo bruto.
Vários países, como Portugal, Estados Unidos ou Austrália, entre outros, apelaram aos respetivos cidadãos para «adiar todas as viagens previstas para a Arábia Saudita, incluindo por motivos religiosos».
Outubro marca habitualmente, com o fim do calor do verão, o início da época alta das peregrinações a Meca e de outros grandes eventos.
Após vários anos de relativa trégua, a retoma em larga escala do conflito no Iémen, em julho de 2026, abriu uma nova frente no Médio Oriente e colocou a Arábia Saudita sob pressão.
Na quinta-feira, os rebeldes Huthis realizaram um ataque em Áden contra a sede do Governo internacionalmente reconhecido, atingindo um centro de comando da coligação liderada por Riade, provocando cinco mortos e 16 feridos.
Já esta noite, o aeroporto da cidade portuária de Áden foi hoje atingido por dois projéteis, sem causar feridos, segundo a polícia local.
Falando à AP sob condição de anonimato, duas fontes aeroportuárias relataram que foi atingida uma área do aeroporto que alberga uma unidade militar ligada ao governo apoiado pela Arábia Saudita.
Uma fonte policial disse à AFP que dois mísseis caíram “nos arredores do aeroporto de Aden”.
Segundo as autoridades locais, “de acordo com as primeiras informações, não houve mortes”.
Aden é, desde 2015, a sede do governo iemenita internacionalmente reconhecido, apoiado por Riade. A capital iemenita, Sana, encontra-se sob ocupação dos Huthis.
Fontes militares dos rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, confirmaram à agência noticiosa oficiosa Saba que lançaram, ao final da tarde, um bombardeamento contra “o centro de comando” na base militar de Al Badr, nas imediações do aeroporto de Áden.
Segundo informações da mesma fonte, não confirmadas de forma independente, foram atingidos “os depósitos de munições instalados no interior da base”.

Arábia Saudita interceta mísseis e drones em Riade e outras regiões
A coligação liderada pela Arábia Saudita intercetou mísseis e drones sobre Riade e outras regiões do país, alvo de ataques quase diários dos huthis do Iémen, apoiados pelo Irão.
Lusa | 18:54 – 16/10/2026