Os automóveis híbridos plug-in (PHEV) equilibram a ecologia da propulsão elétrica a autonomia da combustão, destacando-se por isso pela flexibilidade.
Podem ser usados como elétricos nas pequenas deslocações do dia a dia, com a certeza de que há um motor de combustão para deslocações mais longas.
Mas há muitos condutores que circulam maioritariamente em modo de combustão, diluindo os potenciais benefícios ambientais que estes modelos podem ter – e mostram ter nos testes em “laboratório”.
Assim, há uma diferença cada vez maior entre os dados anunciados pelos fabricantes com base nos procedimentos WLTP e o desempenho em mundo real do ponto de vista dos consumos e emissões poluentes – observa o coletivo ambientalista Transport & Environment. Que propõe soluções para que tal seja corrigido no futuro.
Num comunicado, sugere que os PHEV tenham depósitos de combustível com até 15 litros de capacidade, considerando que “sem este limite alguns pilotos poderiam usar de forma extensiva o modo de combustão sem ter fortes incentivos a carregar”.
Nas suas contas, a T&E estima que com um depósito de combustível e um consumo de 6,7 litros a cada 100 quilómetros, um elétrico com extensor de autonomia não poderia andar mais do que cerca de 220 km em modo de combustão – o que estaria a par da autonomia elétrica.
E, no que toca à autonomia elétrica, o grupo defende que poderia ser benéfico estipular um limite mínimo de 200 km até 2030 – para além de que seja dada prioridade ao modo EV. Para modelos líderes de classe, a T&E entende que a autonomia elétrica deveria ser, no mínimo, de 300 km.
Ainda há mais: defende a capacidade de carregamento rápido em corrente contínua (CC) acima dos 100 kW, para além de usar três vezes mais o motor elétrico face ao de combustão.
O que se passa atualmente?
Segundo a T&E, um híbrido plug-in com autonomia maior pode apresentar emissões de dióxido de carbono inferiores a 50 gramas por quilómetro (WLTP), mas no mundo real aqueles com mais de 130 km de autonomia elétrica podem exceder as emissões anunciadas em 45 por cento.
Exemplifica com um PHEV médio de 165 km, que emitiria 73 gramas de CO2 por quilómetro e não 50 gramas por quilómetro como anunciado. Aponta como causas o maior peso e as emissões elevadas nos modos de combustão e híbrido, para além da ausência habitual de carregamento rápido.
Um relatório da Agência Europeia para o Ambiente conclui que, em média, as emissões no mundo real foram seis vezes mais elevadas do que os números WLTP em 2024, acima do que se verificava um ano antes. Assim, as emissões poluentes estão “muito mais próximas dos veículos de combustão e dos híbridos convencionais”.
É que os testes WLTP, diz a T&E, são otimistas quanto ao uso do modo elétrico, que em condições reais só é utilizado em 27 por cento da distância percorrida. Ora, com o aumento de peso sem um motor elétrico suficientemente potente, e sem um recurso habitual à parte elétrica, as emissões e consumos de gasolina podem disparar significativamente face às viaturas convencionais. Tornando, pois, os híbridos plug-in pouco vantajosos para o meio-ambiente.

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Notícias ao Minuto | 12:36 – 05/11/2026