O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, considerou que não fez nada de errado, numa altura em que um momento de tensão entre ele e o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, está debaixo dos holofotes.
“Não, eu respeito o presidente e respeito o povo norte-americano, e penso que temos de ser muito abertos e muito honestos. Não tenho a certeza de que tenhamos feito algo de errado”, disse Zelensky numa entrevista à Fox News, aquando confrontado sobre se devia ou não um pedido de desculpas ao presidente dos Estados Unidos.
Depois de ter abandonado a Casa Branca mais cedo do que o previsto, Zelensky recorreu ao Twitter para, numa curta mensagem, agradecer aos EUA – ao povo, aos senadores e ao presidente.
A Entrevista à Fox News, que já estava marcada e, aqui, Zelensky aproveitou para desenvolver a sua opinião acerca do que se passou na tarde desta sexta-feira, aquando na Sala Oval – e minutos antes de assinar um acordo acerca dos minerais raros -, um momento de discórdia marcou o dia.
“Acho que há algumas coisas que têm de ser discutidas fora dos meios de comunicação social, com todo o respeito”, considerou.
A discussão, que durou pouco mais de dez minutos, fez com que Zelensky se fosse embora da Casa Branca, depois de Trump ter dito que o presidente ucraniano “não tinha as cartas do seu lado” e que acusá-lo também de “ingratidão”.

O encontro de Trump e Zelensky em palavras: Leia a discussão na Sala Oval
Estas foram as palavras trocadas entre Donald Trump, Volodymyr Zelensky e JD Vance, em plena Sala Oval da Casa Branca.
Lusa | 21:11 – 28/02/2025
“Este tipo de discussão não é bom para ambos”, considerou Zelensky, dando conta de que apesar de ter uma mentalidade aberta, não consegue “alterar a atitude perante a Rússia”, que são “assassinos” para Kyiv.
“Os Estados Unidos são nossos amigos, a Europa é nossa amiga. A Rússia é nossa inimiga. O que não significa que não queiramos a paz”, clarificou, recusando conversações de paz com a Rússia sem garantias de segurança contra uma nova ofensiva.
“Ninguém quer acabar com a guerra mais do que nós”, sublinhou.
O acordo de minerais raros deveria ser assinado esta sexta-feira e seria um primeiro passo no caminho para a paz, com Donald como interlocutor. Note-se que Trump se tem aproximado da narrativa russa – com delegações de Washington e Moscovo a se reunirem, e as presidências a trocarem ‘elogios’.
Alegadamente, Trump quereria cancelar o encontro a Zelensky, mas o presidente de França, Emmanuel Macron, que esteve com Trump esta semana, tê-lo-á dissuadido a encontrar-se com o líder ucraniano.
Na Sala Oval, antes da discussão entre os dois líderes – e acusações também do vice-presidente, JD Vance -, Zelensky mostrou imagens da guerra na Ucrânia. Para além do momento de tensão que estava a acontecer entre os três políticos, na ‘plateia’ estava também a embaixadora ucraniana nos Estados Unidos, Oksana Markarova, cuja reação já correu o mundo também.
[Notícia atualizada às 23h59]
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