A primeira das três fases do cessar-fogo entre Israel e o movimento radical palestiniano Hamas terminou hoje sem que exista um acordo sobre uma segunda fase.
Segundo um relatório elaborado pelo Hamas em colaboração com as autoridades de Gaza, a que agência de notícias EFE teve acesso, as forças israelitas, durante a primeira fase do cessar-fogo, mataram 98 pessoas na Faixa de Gaza, feriram outras 490, efetuaram 45 incursões e 37 bombardeamentos contrários à trégua.
O relatório indica que em 210 ocasiões os aviões israelitas sobrevoaram Gaza, que as tropas de Israel abriram fogo em 77 ocasiões e detiveram condutores ou pescadores de Gaza, considerando que tudo isto é uma violação do cessar-fogo.
O documento indica que estas violações começaram no primeiro dia, a 19 de janeiro, quando às primeiras horas do cessar-fogo 32 habitantes de Gaza foram mortos pelas tropas israelitas e continuaram até ao 42º dia.
O relatório do Hamas refere que as tropas israelitas efetuaram incursões ao longo das linhas de retirada quase diariamente, em especial na fronteira com o Egito, para retirar veículos do exército de Israel, que foram acompanhadas por disparos de armas de fogo e nas quais foram mortos habitantes de Gaza e demolidas casas.
Segundo o mesmo documento, as aeronaves israelitas “continuaram a voar quase diariamente durante os períodos de proibição designados (10 a 12 horas por dia)” com “violações relacionadas com o voo de aeronaves de reconhecimento e drones”.
Sobre a libertação de prisioneiros palestinianos em troca de reféns israelitas, que teve lugar semanalmente durante a primeira fase do cessar-fogo, o Hamas queixa-se de atrasos, de ser obrigado a usar roupas com mensagens de propaganda, de alterações nas listas e de impedir os familiares dos deportados para o Egito de se deslocarem até lá para os ver.
Quanto à entrada de mantimentos em Gaza, o grupo radical queixa-se de que Israel só permitiu uma média de 24 camiões de combustível por dia, contra os 50 acordados, bem como 130.000 tendas para alojar civis, das 200.000 acordadas.
Das 60.000 casas pré-fabricadas que deveriam entrar no enclave, o Hamas alega que apenas 15 foram autorizadas a entrar e, no que diz respeito à maquinaria pesada para remover os escombros e reabrir as estradas, nove das 500 necessárias entraram.
O Hamas exigiu hoje a implementação da segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza, criticando a proposta norte-americana de uma trégua até meados de abril, aceite por Israel.
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