Novo comandante israelita avisa que missão contra Hamas ainda não acabou

“Esta não é uma mudança de comando como outra qualquer, é um momento histórico (…) O Hamas sofreu um duro golpe, mas ainda não foi derrotado”, advertiu o tenente-general Zamir, de 59 anos, à margem da sua tomada de posse.

 

Nesse sentido, “a missão ainda não terminou”, declarou o novo comandante militar, que construiu uma reputação de “duro” no campo de batalha.

O novo líder das forças israelitas substitui Herzi Halevi, que assumiu a responsabilidade militar pelo fracasso em evitar os ataques do Hamas há 15 meses, que provocaram o atual conflito.

“Uma responsabilidade muito pesada recai sobre os seus ombros”, expressou por sua vez o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, falando ao lado do novo comandante do Exército, acrescentando: “Estamos determinados a alcançar a vitória”.

Israel prometeu destruir o Hamas e lançou uma ofensiva devastadora na Faixa de Gaza, após o ataque de violência e escala sem precedentes realizado em 07 de outubro de 2023 por combatentes do grupo islamita palestiniano, que se introduziram no sul do território israelita, onde fizeram mais de 1.200 mortos e 250 reféns.

A operação de retaliação israelita no enclave palestiniano provocou por sua vez acima de 48 mil mortos, na maioria civis, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, e mergulhou o território numa grave crise humanitária.

Após 15 meses de guerra que destruiu grande parte da Faixa de Gaza, Israel e Hamas chegaram a um acordo de cessar-fogo, com a mediação de Qatar, Egito e Estados Unidos, cuja primeira fase entrou em vigor em 19 de janeiro e terminou no sábado.

Durante a primeira fase, o Hamas entregou 33 reféns e Israel libertou cerca de 1.800 palestinianos das suas cadeias.

Israel também permitiu o reforço da ajuda humanitária na Faixa de Gaza antes de a bloquear no domingo, alegando que estava a beneficiar o Hamas.

As autoridades israelitas exigem a “desmilitarização total” da Faixa de Gaza, a saída do Hamas do território e a recuperação dos últimos reféns antes de passar à segunda fase.

O Hamas recusa-se a aceitar a próxima etapa, que deveria conduzir a um cessar-fogo permanente, e insiste em permanecer na Faixa de Gaza, onde assumiu o poder em 2007. Uma terceira fase deverá ser dedicada à reconstrução do enclave.

Ao bloquear a ajuda humanitária, as autoridades israelitas estão a “usar a fome como arma de guerra”, acusou hoje a África do Sul, que já tinha apresentado uma queixa de genocídio contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça.

Também hoje, a Alemanha, a França e o Reino Unido pediram conjuntamente a Israel que garanta a entrada de ajuda e ao Hamas que liberte os reféns.

“O fornecimento de ajuda humanitária não pode ser (…) utilizado para fins políticos”, alertaram os chefes das diplomacias dos três países.

Das 251 pessoas raptadas em 07 de outubro de 2023, 58 ainda se encontram detidas na Faixa de Gaza, das quais 34 foram declaradas pelo Exército israelita como estando mortas.

Reunidos na terça-feira no Cairo, os líderes árabes adotaram um plano para a reconstrução da Faixa de Gaza que marginaliza o Hamas e prevê o regresso da Autoridade Palestiniana, expulsa do território em 2007 pelo movimento islamita.

Mas Israel, que também descarta qualquer papel futuro no enclave para a Autoridade Palestiniana, sediada na Cisjordânia ocupada, rejeita a proposta.

O plano, diz o Egito, garante que os habitantes na Faixa de Gaza permaneçam nas suas terras, uma resposta à ideia do Presidente norte-americano, Donald Trump, de os expulsar para o Egito e para a Jordânia e transformar o território na “Riviera do Médio Oriente”.

A cimeira árabe alertou contra “qualquer tentativa hedionda de deslocar o povo palestiniano” e apelou para a unificação dos palestinianos sob a égide da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), da qual o Hamas não é membro.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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