O anterior balanço divulgado pela organização não-governamental (ONG) que acompanha a guerra civil na Síria era de 52 pessoas executadas durante uma ofensiva junto à costa ocidental da Síria.
O OSDH, com sede em Londres mas com uma vasta rede de informadores no país do Médio Oriente, afirmou que as forças de segurança “executaram 69 homens alauitas” nas aldeias de Al-Shir, Al-Mukhtariya e Haffah, na zona rural de Latakia.
As vítimas pertenciam ao grupo étnico-religioso minoritário alauita de Assad.
“Mataram todos os homens que encontraram”, disse o chefe do Observatório, Rami Abdurrahman, citado pela agência norte-americana AP.
Abdurrahman disse que os atiradores saíram das três aldeias sem ferir mulheres ou crianças.
A Al-Mayadeen TV, com sede em Beirute, noticiou que mais de 30 homens foram mortos em Al-Mukhtariya depois de terem sido separados das mulheres e das crianças.
Acrescentou que outros foram também mortos a tiro em Al-Shir e Haffah.
O OSDH e ativistas divulgaram vídeos em que se viam dezenas de corpos em trajes civis empilhados no pátio de uma casa, enquanto mulheres choravam nas proximidades, segundo a agência francesa AFP.
Num outro vídeo, homens em uniforme militar pareciam ordenar a três pessoas que rastejassem umas atrás das outras, antes de as matarem à queima-roupa.
Uma terceira sequência mostrava um atirador a disparar vários tiros à queima-roupa contra um jovem em trajes civis à entrada de um edifício, antes de o matar.
A AFP não conseguiu verificar os vídeos de forma independente.
Uma fonte do Ministério do Interior citada pela agência síria Sana relatou “atos isolados de violência” cometidos por “multidões desorganizadas”.
Tais atos serviram de retaliação pelo “assassinato de vários membros da polícia e das forças de segurança por homens leais ao antigo regime”, segundo a fonte citada pela agência de notícias síria.
“Estamos a trabalhar para pôr fim a estes atos de violência, que não representam o povo sírio no seu conjunto”, acrescentou a mesma fonte, sem especificar a natureza dos atos de violência.
O OSDH tinha anunciado anteriormente que os confrontos entre grupos leais a Assad e as forças governamentais tinham causado 72 mortos desde quinta-feira, incluindo 36 membros das forças de segurança, 32 combatentes leais a Assad e quatro civis.
As forças de segurança enviaram hoje reforços e lançaram operações de grande envergadura nas regiões de Latakia e Tartus.
Assad foi derrubado em 08 de dezembro de 2024 por uma coligação de forças rebeldes liderada pelo grupo Hayat Tahrir al Sham (HTS, ou Organização de Libertação do Levante).
O presidente de transição da Síria e líder da HTS, Ahmad al-Charaa, efetuou duas visitas às províncias de Latakia e Tartus em meados de fevereiro.
Assad tinha feito de Latakia e Tartus os seus principais redutos até à queda do regime fundado pelo pai, Hafez al-Assad, que liderou a Síria entre 1971 e 2000.
Quando os rebeldes avançaram sobre Damasco após uma operação-relâmpago, Bashar al-Assad e a família fugiram para Moscovo, onde estão exilados.
A Rússia, que tem duas bases na Síria, e o Irão eram os dois principais apoiantes do regime de Assad.
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