Uma equipa de arqueólogos encontrou, no estado norte-americano do Utah, no verão passado, uma garrafa de bebida alcoólica com uma idade estimada em 150 anos. Agora, arqueólogos e especialistas fizeram um teste de degustação.
Ian Wright, arqueólogo estatal, explicou que a garrafa estava entre milhares de artefactos datados das décadas de 70/80, que tinham sido encontrados nas terras do Serviço Florestal dos Estados Unidos, usadas pela estação de esqui Alta.
“Quando lhe pegaram, ainda estava cheia. Ainda tinha a rolha”, contou Wright à publicação The Park Record, referindo que foi nesse momento que perceberam era “um verdadeiro tesouro”.
Wright afirmou também que a descoberta representa a única garrafa de álcool intacta conhecida daquele período. “Às vezes, encontram garrafas com rolha no Missouri e em locais onde o [rio] Mississippi mudou de curso e houve um barco ou navio afundado, mas nunca no Utah”, explicou. “Raramente encontramos uma garrafa com rolha. Ou, se encontramos, a rolha encolheu e ficou presa dentro da garrafa, ou só restam fragmentos. Então, isto é bastante raro.”
Mas, afinal, a que sabe uma bebida alcoólica centenária?
A equipa de Wright contou com a ajuda da High West, a destilaria legal mais antiga do Utah, para analisar o conteúdo da garrafa e a adega Old Town Cellars, localizada nas proximidades, ajudou com um dispositivo de preservação de vinhos para extrair parte do líquido sem danificar a rolha.
Após aberta, decantaram cuidadosamente o líquido e filtraram-no através de um filtro de café para separar qualquer sedimento.
O primeiro a provar foi Isaac Winter, o diretor da destilaria. “Estava um pouco apreensivo antes de experimentar, mas tinha de tentar”, recordou à subsidiária local da Fox News no Utah. “Não tinha cheiro a gasolina, nem sabor a tabaco. Era frutado, com toque de couro e bastante envelhecido”, descreveu.
De seguida, foi Tara Lindley, a diretora de desenvolvimento sensorial e de produtos da destilaria, que se referiu ao sabor como complexo. “Primeiro, havia uma espécie de nota de fruta oxidada”, disse.
Os especialistas disseram que o líquido parece pertencer a uma cerveja com baixo teor alcoólico, e não um licor. Agora, esperam conseguir recriar a bebida.
O sedimento no fundo da garrafa pode conter a chave para o fazer. “O fundo da garrafa estava meio turvo, meio leitoso. Vamos levar a amostra de volta e, com sorte, tentar encontrar leveduras utilizáveis”, desejou Winter.
Se conseguirem cultivar com sucesso a levedura histórica, isso poderá permitir que recriem exatamente a cerveja que os mineiros locais bebiam há mais de um século.
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