Face ao processo disciplinar feito pelo Conselho de Disciplina da FPF ao FC Porto por alegada pressão feita ao árbitro Fábio Veríssimo, a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) emitiu esta terça-feira um comunicado a criticar o ambiente atual no futebol português e os vários episódios de pressão à arbitragem no passado recente.
“O futebol português tem de pôr fim à pressão e à intimidação sobre os árbitros, não pode continuar a viver mergulhado num clima de medo e suspeição“. Esta é uma das afirmações fortes da nota oficial publicada nas redes sociais da APAF em resposta a esta polémica do jogo entre o FC Porto e o Sporting de Braga.
A Associação pede uma atuação imediata face a estas questões e exige “que as entidades competentes atuem de imediato, com transparência total, e que sejam aplicadas medidas exemplares a todos os envolvidos”.
“Não ficaremos calados perante mais um episódio de desrespeito e impunidade. Não aceitaremos investigações morosas, silêncios cúmplices nem decisões meramente políticas. O atual clima no futebol português é tóxico e insustentável“, pode ler-se no comunicado.
De recordar que esta denúncia do juiz da AF Leiria poderá ter sanções graves. De acordo com o número dois do artigo 66.º do Regulamento Disciplinar (RD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), referente à coação, prevê que o clube que exerça violência física ou moral “sobre qualquer elemento da equipa de arbitragem com o fim de, por qualquer forma, ocasionar condições anormais na direção do encontro com consequências no resultado” seja “punido com a sanção de desclassificação” e, acessoriamente, com uma sanção de multa.
De acordo com a alínea quatro do mesmo artigo, caso a coação seja na forma tentada, os clubes “são punidos com sanção de derrota e, acessoriamente, com a sanção de multa”
[Notícia atualizada às 18h02]
Confira o comunicado da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol na íntegra:
“Chegou a hora de dizer BASTA!!!
O futebol português tem de pôr fim à pressão e à intimidação sobre os árbitros, não pode continuar a viver mergulhado num clima de medo e suspeição.
Desde há muito que registamos uma escalada no número de episódios de pressão sobre os árbitros, com o mais recente a registar-se no jogo FC Porto – SC Braga.
Perante a gravidade dos factos ocorridos, exigimos que as entidades competentes atuem de imediato, com transparência total, e que sejam aplicadas medidas exemplares a todos os envolvidos.
Não ficaremos calados perante mais um episódio de desrespeito e impunidade. Não aceitaremos investigações morosas, silêncios cúmplices nem decisões meramente políticas. O atual clima no futebol português é tóxico e insustentável.
Não podemos continuar a querer resolver os problemas do futebol português com regulamentos que, aprovados pelos Clubes, são incapazes de punir com eficácia, e de forma exemplar, comportamentos inadmissíveis no futebol moderno.
O atual clima no futebol português é insustentável e exige investigações céleres e decisões verdadeiramente efetivas, bem como o envolvimento do setor da arbitragem nas inevitáveis alterações regulamentares que se exigem já para a próxima época.
Dia após dia, assistimos a ataques públicos, campanhas de difamação e discursos inflamados contra a arbitragem, na maior parte das vezes, promovidos por quem deveria dar o exemplo.
Perante esta cultura de intimidação, a arbitragem não pode ficar em silêncio e está preparada para pugnar, por todos os meios, por medidas concretas que garantam a proteção do setor contra as sucessivas faltas de respeito de quem deveria ter a missão de proteger o jogo e todos os seus protagonistas.
A APAF irá solicitar reuniões, com carácter urgente, junto da FPF, da Liga Portugal e do Governo para exigir ter parte ativa nas alterações regulamentares necessárias.”
Leia Também: FC Porto reage à polémica com Fábio Veríssimo: “Ameaças a dirigentes…”