Beatriz Godinho esteve na SIC Notícias para falar sobre as manifestações pela habitação. Após questionada, a atriz explicou de início que decidiu juntar-se a estas manifestações porque lhe “parecem perfeitamente legitimas e extremamente necessárias”.
“Tenho 34 anos. Sei o que é trabalhar a tempo inteiro, há 16 anos, e sentir cada vez mais que é impossível ganhar a corrida de ter uma vida digna. E isto está muito marcado pelas dificuldades de acesso a uma habitação digna”, destacou de seguida.
“O que me preocupa é que estamos a focar-nos muito nesta questão dos protestos, na forma do protesto, e quase com uma exigência de uma postura irrepreensível – que eu na realidade até acredito que a maioria dos manifestantes tem tido”, acrescentou, relatando que “não observou nenhum ato de violência” nos momentos em que já esteve presente na manifestação.
“Havia problemas com as tendas, as tendas foram retiradas, as pessoas estão efetivamente a tentar salvaguardar os seus direitos básicos e as suas necessidades básicas para poderem contribuir de volta para a sociedade. Porque parece-me um pouco ingrato exigir aos jovens que construam o futuro de um país quando depois não lhes são dadas as condições básicas necessárias para construírem a sua própria vida“, enalteceu, afirmando que este é um problema “multigeracional”.
“[…] Não me parece uma abordagem de pessoas egoístas, não me parece uma abordagem de pessoas irresponsáveis, muito menos preguiçosas, porque tendo que trabalhar tanto para pagar uma renda ou comprar uma casa, não dá jeito nenhum ir para o Rossio todos os dias. E se as pessoas vão, é porque sentem a necessidade de ser ouvidas. E quanto menos nos ouvirem e mais vácuo existir relativamente a esta questão, acho que mais alto as pessoas vão ter que gritar“, continuou.
Mas não ficou por aqui e comentou também a ação da PSP na madrugada de domingo, que resultou em vários manifestantes feridos e alguns detidos. “Acredito que vivo num país em que os cidadãos têm o direito em manifestar os seus desagrados e a crise da habitação, mais uma vez, é super legítima. A ação policial que aconteceu nas primeiras horas de domingo, gostaria imenso de acreditar que não foi uma estratégia para calar os manifestantes utilizando o medo. Mas se foi, a minha geração está habituada a viver com medo todos os dias.”
“Porque não saber se vamos conseguir pagar a renda, não saber se vamos ter acesso a uma vida digna, independentemente do quanto trabalhamos, de quanto poupamos, porque quase poupar hoje em dia é preciso fazer um part-time em investimentos. Parece que nos sentimos encurralados.”
“Se a estratégia é essa, não me parece que seja isso que nos vai fazer parar. Porque não há nada mais assustador do que olhar para o futuro sem esperança e não fazer nada relativamente a isso”, realçou igualmente.
Beatriz Godinho, de recordar, já integrou o elenco de várias produções nacionais, entre elas “Páginas da Vida”, “O Clube”, “Senhora do Mar”, “Morangos com Açúcar”, “Por ti” ou “Esperança”.
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