BEI propõe alívio nas restrições para disponibilizar mais verbas para defesa na UE

“Tencionamos propor, na próxima reunião de março do Conselho de Administração do BEI, um novo ajustamento dos critérios de elegibilidade do grupo a fim de garantir que as atividades excluídas sejam definidas com maior precisão e tenham um âmbito tão limitado quanto possível, de modo a serem alinhadas com as novas prioridades políticas da UE, de uma forma que salvaguarde as operações e a posição financeira” da instituição, indica a presidente do banco, Nadia Calviño, numa carta hoje enviada aos acionistas e à qual a Lusa teve acesso.

 

Antes da reunião do final do mês do Conselho de Administração do BEI (composto pela presidente, por 27 membros designados pelos Estados-membros e um pela Comissão Europeia) e no dia em que o executivo comunitário avançou com um plano de 800 mil milhões de euros para armamento comunitário, Nadia Calviño sugere também “uma revisão do quadro operacional e a substituição da Iniciativa Estratégica Europeia de Segurança ‘ad hoc’ por um objetivo de política pública transversal específico que contribua para a paz e a segurança na Europa”.

Esse objetivo seria traçado através de “uma dotação financeira e de capital ambiciosa a determinar anualmente no âmbito do plano operacional do grupo”, argumenta a presidente do BEI na missiva consultada pela Lusa.

Na prática, a responsável espanhola está a pedir aos seus acionistas que aliviem as regras de funcionamento da instituição financeira do espaço comunitário, pois atualmente o BEI só pode financiar projetos e tecnologias de dupla utilização — ou seja, tanto civis como militares — e apenas pode dedicar um máximo de oito mil milhões de euros de financiamento até 2027 à área de segurança e defesa através da Iniciativa Estratégica Europeia de Segurança.

Ainda assim, está fora da mesa o financiamento de armas e munições, mas antes de infraestruturas e tecnologias militares (mesmo sem serem de dupla utilização), como quartéis militares, hospitais e centros de investigação.

Para Nadia Calviño, dado o atual contexto geopolítico, “é mais importante do que nunca mostrar a forte unidade da UE”, razão pela qual espera “um forte apoio a estas propostas” que visam “aumentar o volume de financiamento disponível para responder às necessidades”.

O BEI é detido conjuntamente pelos países da UE e visa financiar prioridades comunitárias, como de crescimento económico e de combate às alterações climáticas.

Para 2025, as verbas para a defesa vão duplicar para um valor recorde de dois mil milhões de euros.

As declarações surgem depois de, esta manhã, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter anunciado querer mobilizar 800 mil milhões de euros para investimento na defesa europeia.

Em causa está o plano Rearmar a Europa, assente em cinco vertentes para uma Europa segura e resiliente: um novo instrumento ao nível da UE para circunstâncias extraordinárias (como que foi criado para assistência financeira aos países em empréstimos a condições favoráveis durante a covid-19 para evitar o desemprego), a ativação da cláusula de salvaguarda das regras orçamentais para evitar procedimentos por défice excessivo (face ao aumento da despesa pública com defesa, num máximo de 1,5% por ano), reafetação de verbas de outros fundos como da Coesão), verbas do BEI e ainda capital privado.

O plano — hoje enviado às 27 capitais da UE com vista a ser debatido no Conselho Europeu extraordinário de quinta-feira — permitirá ainda enviar rapidamente ajuda militar à Ucrânia, após Washington ter decidido cancelar a enviada pelos Estados Unidos.

Essa cimeira europeia extraordinária, que terá lugar em Bruxelas, será dedicada ao apoio à Ucrânia e à defesa europeia, numa altura de ameaças norte-americanas de corte das ajudas aos ucranianos.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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