Bruxelas premeia Investigação jornalística sobre “frota fantasma” russa

A investigação, coordenada pela plataforma de jornalismo de investigação Follow the Money, em colaboração com meios de comunicação social belgas, dinamarqueses, alemães, gregos, italianos, noruegueses, neerlandeses e britânicos, revelou de que forma armadores ocidentais ganharam mais de 6 mil milhões de dólares (cerca de 5,17 mil milhões de euros) com a venda de 230 velhos navios-tanque à “frota fantasma” russa.

 

O termo “frota fantasma” é utilizado para classificar navios que normalmente navegam sem bandeira e sem seguro, que permitem à Rússia exportar petróleo e gás apesar das sanções internacionais impostas desde a invasão da Ucrânia.

Estes navios constituem mais de um terço dos 600 petroleiros que transportam a maior parte do petróleo russo para escapar às sanções e foram vendidos à Rússia a preços “excecionalmente elevados”, segundo a investigação, que envolveu um total de 13 redações e 40 jornalistas.

“Os proprietários embolsaram mais de seis mil milhões de dólares por navios que, de outra forma, teriam de vender para sucata”, apontou o trabalho jornalístico disponível no site da plataforma Follow the Money.

Os jornalistas referiram ainda que estes navios “fornecem indiretamente ao Estado russo milhares de milhões de dólares em receitas para financiar a guerra contra a Ucrânia” e que, apesar de as sanções contra a frota estarem a ser intensificadas, a Europa “pouco tem feito para impedir a venda de velhos petroleiros à ‘frota fantasma'”.

Em comunicado, o Parlamento Europeu explicou que os jornalistas do projeto premiado descobriram que estes navios “navegam agora sob regimes de propriedade não transparentes, muitas vezes sem um seguro ambiental adequado, o que representa um grave risco ecológico”.

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que o prémio é “um testemunho da ligação inextricável entre uma imprensa livre, a democracia e a paz”.

“Numa altura em que os regimes autoritários tentam silenciar a verdade e distorcer a realidade, a Europa está unida em torno dos jornalistas que expõem a corrupção e todos aqueles que se recusam a ser silenciados”, acrescentou Metsola, citada no comunicado.

O Parlamento Europeu criou o prémio Daphne Caruana Galizia em 2019 para homenagear o trabalho da jornalista maltesa com o mesmo nome assassinada a 16 de outubro de 2017 e, desde então, tem reconhecido anualmente o jornalismo de qualidade que promove ou defende os princípios e valores fundamentais da União Europeia.

A entrega do prémio realizou-se na sala de imprensa Daphne Caruana Galizia, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França.

Participaram na investigação os meios de comunicação social De Tijd, da Bélgica, Suddeutsche Zeitung, WDR, NDR, os três da Alemanha, The Times e SourceMaterial do Reino Unido, IRPIMedia, de Itália, NRK, da Noruega, Danwatch, da Dinamarca, Solomon e Inside Story, ambos da Grécia.

Participaram também o Dialogue Earth, um órgão de comunicação focado em questões do meio ambiente, e o Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), uma rede de jornalistas de investigação com sede em Amesterdão.

O prémio tem um valor pecuniário de 20 mil euros.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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