O antigo presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, considerou, este sábado, que não existe qualquer “problema de uso de burca ou niqab em Portugal”, ao mesmo tempo que atirou que “é a extrema-direita que quer criá-lo”.
“Lamento que os que, nos grupos parlamentares do PSD e da IL, se dizem sociais-democratas ou liberais, tenham embarcado na manipulação xenófoba da extrema-direita. Não há nenhum problema de uso de burka ou niqab em Portugal. É a extrema-direita que quer criá-lo”, escreveu o socialista, na rede social Facebook.
Augusto Santos Silva disse ainda concordar com a posição do imã da Mesquita Central de Lisboa, David Munir, que acusou os políticos de “taparem os olhos aos portugueses” com a nova legislação contra o uso da burca, além de um discurso islamófobo e anti-imigrantes, ao invés de resolverem os problemas do país.
O xeque salientou que “meia-dúzia de muçulmanas” usam burca (corpo completamente coberto) em Portugal, enquanto “uma dúzia e pouco” opta pelo niqab (máscara sobre o rosto).
“Na prática, se formos ver, quantas muçulmanas foram apanhadas com o rosto tapado a cometerem algo que pusesse a segurança em causa?”, questionou. E respondeu: “Zero.”
David Munir assegurou ainda que não existem casos de muçulmanas que se tenham recusado identificar-se perante as autoridades, ao usar burca ou niqab.
“Com tantos problemas graves que temos no nosso país, com bebés a nascerem nas ambulâncias ou hospitais a serem fechados porque não há médicos, [em vez de] dedicarmos o nosso tempo a essas situações e a procurar soluções para isso, estamos a discutir o vestuário de uma muçulmana”, criticou, e apontou que a lei “é uma forma de tapar os olhos dos portugueses que pagam impostos” e “de desviar a atenção aos problemas mais graves” do país.

Burcas? Munir acusa políticos de “taparem os olhos aos portugueses”
O imã da Mesquita Central de Lisboa acusou hoje os políticos de “taparem os olhos aos portugueses” com a nova legislação contra o uso da burca e um discurso islamófobo e anti-imigrantes, em vez de resolverem os problemas do país.
Lusa | 17:22 – 17/10/2025
Recorde-se que PSD, IL e CDS-PP aprovaram, na generalidade, o projeto de lei do Chega que visa proibir a utilização de burca em espaços públicos, invocando os direitos das mulheres e questões de segurança, na sexta-feira. A iniciativa contou ainda com os votos contra de PS, Livre, BE e PCP, e a abstenção do PAN e JPP.
Com esta lei, o Chega propõe que seja “proibida a utilização, em espaços públicos, de roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto”, com algumas exceções. Na abertura do debate, o líder daquele partido especificou que o objetivo é proibir que “as mulheres andem de burca em Portugal” e dirigiu-se em particular aos imigrantes.
“Quem chega a Portugal, vindo de onde vier, vindo de que região venha, com os costumes que tiver ou com a religião que tiver, tem que acima de tudo cumprir, respeitar e fazer respeitar os costumes deste país e os valores deste país”, defendeu André Ventura.
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