Carro apreendido pela PJ foi usado por ministros e devolvido sem inspeção

O empresário de jogadores de futebol César Boaventura, envolvido no processo Malapata, foi condenado, já este ano, a três anos de pena suspensa por um crime de fraude fiscal e dois de falsificação de documentos, além de ser obrigado a entregar 36 mil euros ao Estado. Mas enquanto o processo decorreu, ficou dois anos em prisão domiciliária.

 

Durante esse tempo viu por várias vezes através da televisão um carro muito semelhante àquele que a Polícia Judiciária (PJ) lhe tinha apreendido a fazer de transporte de membros de vários Governos. 

A viatura conduziu ministros da Administração Interna durante cinco anos, conta a CNN Portugal, mas César Boaventura só soube dessa informação há poucas semanas, quando o Tribunal Judicial da Comarca do Porto deu ordens para lhe devolverem o carro.

“Fins investigatórios”

A viatura apreendida tinha sido requisitada pela PJ para ser usada em “fins investigatórios”, mas acabou por fazer 38 quilómetros nas “mãos” da PJ e os restantes 141 mil foram ao serviço dos gabinetes de sucessivos ministros da Administração Interna – desde José Luís Carneiro até Luís Neves (atual ministro e diretor nacional da PJ quando a viatura foi cedida ao MAI), passando por Margarida Blasco e Maria Lúcia Amaral.

O BMW custou 60 mil euros (usado), pouco antes de ser apreendido. Agora, César Boaventura explica que o Estado quer pagar-lhe menos de 10 mil euros por lhe descontar as despesas com manutenções e peças desgastadas do uso do carro.

Pelos 141 mil quilómetros conduzidos no carro, o Estado deveria pagar 24 mil euros (17 cêntimos por quilómetro), recorda a CNN que cita os valores que estão nas contas apresentadas pela Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP), mas descontando peças e manutenções, no final a conta dá apenas 9.795 euros.

“Estragam-me um farol, metem-no no carro e descontam-me a mim? Metem-lhe pneus, descontam-me a mim? Tem problemas nas jantes, descontam-me a mim? Carregam o ar condicionado, descontam-me a mim? Eu é que tenho de pagar tudo”, questiona o empresário de jogadores de futebol, que garante que vai para tribunal exigir pelo menos mais 50 mil euros de compensação ao Estado pelo uso do carro de alta gama.

Carro sem inspeção ou limitador de velocidade

Mas história adensa-se. Dias depois de a PJ lhe devolver o carro, César Boaventura foi mandado parar pela Guarda Nacional Republicana (GNR) e recebeu uma multa por falta de inspeção. 

A “inspeção tinha sido feita, mas numa altura em que o carro tinha uma outra matrícula, atribuída a viaturas apreendidas que estão cedidas a órgãos de polícia criminal”, conta o mesmo meio.

E quando levou o BMW à inspeção, a viatura chumbou por “falhas de segurança nos amortecedores e faróis com intensidades muito distintas”.

Até as respetivas reparações serem feitas e o carro sujeito a nova inspeção, não poderá circular com passageiros nem carga.

Outra das questões em que diz ter reparado, é que garante que o BMW lhe foi devolvido sem o limitador de velocidade (250 km/h), que é obrigatório por lei em viaturas deste tipo que conseguem atingir os 280 km/h. 

Carro apreendido que Luís Neves usa pertence ao traficante de droga Xuxas

Carro apreendido que Luís Neves usa pertence ao traficante de droga Xuxas

O VW Golf GTD, carro conduzido pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, cedido pela Polícia Judiciária, foi apreendido ao traficante de droga Rúben Oliveira, mais conhecido como Xuxas, detido pela PJ em 2022. No entanto, o processo ainda não transitou em julgado, o que levanta dúvidas sobre a utilização do veículo.

Notícias ao Minuto | 23:31 – 27/08/2026

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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