“Este ideal de cidadania partilhada deve orientar os nossos esforços governativos e legislativos, para que os cidadãos dos nossos Estados se reconheçam mutuamente como parte de um mesmo espaço de pertença e de cooperação solidária”, defendeu o chefe do Estado de Moçambique, na abertura da 14.ª Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP), em Maputo.
O Presidente disse que a CPLP é “uma comunidade de afetos, mas também de responsabilidades e solidariedade”, em que os países-membros partilham uma “herança histórica” e uma língua comum, pedindo, por isso, esforços coletivos para a manutenção da paz e soberania nos países, valores definidos como “essência” do projeto da comunidade.
“Assume-se como missão estratégica da nossa Comunidade, a construção e consolidação de uma verdadeira cidadania lusófona, fundada na mobilidade, na proteção social, na partilha de saberes, na valorização da nossa diversidade e no reconhecimento de direitos no espaço da CPLP”, disse Daniel Chapo.
O Presidente moçambicano apelou no mesmo discurso a uma reflexão sobre o estágio atual das relações entre os Estados-membros da CPLP, pedindo igualmente uma reflexão sobre os ganhos alcançados com a criação da comunidade, incluindo avançar, desde logo, com os desafios a vencer para a “afirmação efetiva do bloco lusófono no concerto das Nações”.
Defendeu igualmente que a AP-CPLP se reafirme como um espaço de diálogo intergeracional, com a juventude e a mulher no centro da agenda legislativa e de desenvolvimento dos países-membros.
Daniel Chapo espera que a AP-CPLP “aprofunde o diálogo para a construção de uma cidadania intercomunitária, que promova a mobilidade dos cidadãos e o intercâmbio de conhecimentos, com vista à promoção do desenvolvimento sustentável e equitativo dos nossos países e povos”.
Mais de 100 delegados, incluindo presidentes dos parlamentos, dos Estados-membros da CPLP participam hoje e terça-feira, em Maputo, na 14.ª Assembleia Parlamentar, órgão que Moçambique passa a liderar.
O parlamento português é representado nestes dois dias de trabalho pelo deputado Pedro Alves (PSD), da delegação parlamentar de Portugal naquele órgão da CPLP.
Moçambique acolhe assembleia parlamentar da CPLP e assume presidência
Mais de 100 delegados, incluindo presidentes dos parlamentos, dos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) participam hoje e terça-feira, em Maputo, na 14.ª Assembleia Parlamentar, órgão que Moçambique passa a liderar.
Lusa | 06:23 – 14/07/2025
Estão também previstas reuniões dos presidentes dos parlamentos da CPLP, das comissões permanentes e redes da Assembleia Parlamentar da CPLP, encontros dos presidentes dos grupos nacionais parlamentares, de acordo com o programa do evento, que prevê igualmente o anúncio do país a acolher o 15.º encontro do órgão, no próximo ano.
Na 14.ª AP-CPLP Moçambique vai assumir a presidência rotativa do órgão, sucedendo a Guiné Equatorial, num mandato focado na paz e inclusão.
Os membros do grupo Nacional do parlamento da Guiné-Bissau cancelaram a sua participação na reunião.
Fundada em 1996, a CPLP integra nove países – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
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