Com eleições marcadas, crise (parece) amenizada. O que acontece até lá?

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou na noite de quinta-feira que irá dissolver o Parlamento e marcar eleições legislativas antecipadas para 18 de maio. A crise política que levou à queda do Governo em apenas algumas semanas poderá, assim, resolver-se em pouco mais de dois meses. Mas o que acontece até lá?

 

A primeira data a ter em atenção é daqui a pouco mais de três semanas. Isto porque, de acordo com a lei eleitoral para a Assembleia da República, a apresentação das listas de candidatos a deputados “cabe aos órgãos competentes dos partidos políticos” e faz-se “até ao 41.º dia anterior à data prevista para as eleições”  – ou seja, 7 de abril.

Já a formalização de coligações pré-eleitorais junto do Tribunal Constitucional decorrer até um dia antes.

Assim, a campanha eleitoral decorrerá entre 4 e 16 de maio, uma vez que a lei fixa que esta se inicia no 14.º dia anterior e termina às 24 horas da antevéspera do dia designado para as eleições.

O novo governo deverá então tomar posse em meados de junho. Apesar de não existirem prazos legais para a sua entrada em funções, a média deste século tem sido de cerca de um mês.

Após as anteriores legislativas, a 10 de março do ano passado, o Governo tomou posse a 2 de abril e entrou em plenitude funções dez dias depois, a 12 de abril, quando o seu programa não foi rejeitado pela Assembleia da República.

A repetir-se este calendário, a posse do futuro governo poderá acontecer na semana que se inicia a 19 de junho e a discussão do programa no Parlamento até um máximo de dez dias depois.

Assembleia da República dissolvida 10 vezes em 50 anos. Porquê?

Assembleia da República dissolvida 10 vezes em 50 anos. Porquê?

A dissolução da Assembleia da República hoje anunciada é a 10.ª desde o 25 de Abril de 1975, sendo a terceira vez que Marcelo Rebelo de Sousa usa este poder constitucional para dissolver o Parlamento nacional.

Lusa | 20:42 – 13/03/2025

No entanto, há casos em que o processo foi muito mais longo: o XXIII Governo Constitucional só entrou em plenitude de funções em 8 de abril de 2022, 68 dias depois das eleições de 30 de janeiro, e o Orçamento do Estado para esse ano só estaria em vigor no final de junho, quase cinco meses após as legislativas.

Neste caso, o processo de transição política foi mais demorado devido à repetição de eleições no círculo da Europa, determinada pelo Tribunal Constitucional por terem sido misturados votos válidos com votos nulos em 151 mesas de voto.

Leia Também: Medina defende que se devia “ter feito mais” para evitar eleições

Fonte: www.noticiasaominuto.com

Scroll to Top