O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, participa na reunião liderada pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.
O principal tópico da discussão vai ser o conflito na Ucrânia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, deverá intervir na reunião para pedir ainda mais pressão sobre a Rússia, numa altura em que a UE alega que a economia russa está a sofrer os efeitos das sanções, ainda que Moscovo tenha intensificado os bombardeamentos ao território ucraniano.
Com a aproximação do inverno e a guerra a caminhar para o quarto ano, os países da UE estão a explorar maneiras mais eficazes e rentáveis de apoiar a Ucrânia a longo prazo, depois de caírem por terra as negociações mais recentes para alcançar um cessar-fogo, sob mediação de Washington.
A questão agora é perceber se é possível e de que maneira utilizar os recursos russos que estão imobilizados em países da UE como uma fonte de financiamento mais segura.
No entanto, a questão não é consensual entre os 27 países do bloco político-económico europeu, pelo que este deve ser um dos principais temas da reunião do Conselho Europeu na próxima quinta-feira.
A discussão também será preparatória da reunião de chefes de Estado e de Governo em Bruxelas, que vai incluir as migrações e os problemas no acesso à habitação em praticamente toda a UE.
As tensões no Médio Oriente, nomeadamente a possibilidade de o cessar-fogo entre Israel e o movimento radical Hamas se aguentar, e as relações com os países do Indo-Pacífico também farão parte da discussão.
No que diz respeito à Faixa de Gaza, sendo a primeira reunião ministerial desde que o cessar-fogo entrou em vigor, os ministros vão discutir as maneiras de a UE fazer parte não só da reconstrução, mas também do rumo político que levará o enclave palestiniano, declararam alto funcionários europeus à Lusa.
No entanto, a discussão encontra um problema de fundo que foi a exclusão da UE de todo o processo desde que Washington assumiu a liderança da mediação.
Ainda que tenha havido uma reunião em Paris dias depois do cessar-fogo ter entrado em vigor e de a UE ter estado representada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, na cimeira no Egito, os Estados-membros receiam não ter lugar à mesa para decidir o futuro de Gaza.
Sobre avançar com sanções a colonos israelitas na Cisjordânia, Kallas mantém a intenção de fazer avançar a proposta, mas há receio de que os Estados-membros que já estavam contra, nomeadamente a Alemanha, deixem de sentir a pressão para alinhar com a maioria dos países da UE para o fazer.
Leia Também: Montenegro junta-se a homólogos do sul da UE para discutir crise em Gaza