O Movimento pela Habitação denunciou que da intervenção policial que causou ferimentos em 37 dos participantes, durante a madrugada desta quinta-feira, resultaram dois feridos em estado grave. De acordo com o movimento, entre os feridos está também uma pessoa com deficiência.
“Na madrugada desta quinta-feira, às 02h56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto”, refere o movimento em comunicado.
Em declarações à agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, Luís Silva, disse que oito ativistas do Movimento deslocaram-se à sede da corporação para serem assistidos, dois dos quais foram transportados ao Hospital de Santo António, no Porto.
Mais tarde, à RTP Notícias, o Hospital de Santo António disse ter recebido sete cidadãos feridos, “alegadamente em incidentes na Praça D. João I, no Porto”.
“Cinco apresentaram ferimentos ou hematomas ligeiros. Um homem apresentou um hematoma epicraniano, com TAC crânio-encefálica normal. Uma mulher apresentou uma fratura da região distal do rádio”, adiantou, em comunicado, o diretor clínico hospitalar, José Barros.
Recorde-se que os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que seria “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I”.
Na nota de hoje, o movimento “denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência”, considerando a carga “inaceitável” e pedindo responsabilidades.
Apresentam seis reivindicações principais: “abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas”.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a “comportamentos de resistência”.

PSP confirma feridos e fala em “resistência” de manifestantes no Porto
A Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou que houve feridos, entre os quais vários manifestantes e um agente, durante a madrugada no Porto. O auto de notícia será entregue ao MP, assim como as imagens do momento. Autoridades garantem que manifestantes “resistiram”.
Natacha Nunes Costa | 10:35 – 15/10/2026
Já a meio da manhã, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, justificou que a Polícia de Segurança Pública (PSP) foi “forçada” a intervir contra os manifestantes que estavam acampados na Praça D. João I, porque houve um “desrespeito ostensivo da lei”, no protesto pelo direito à habitação.
O autarca, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, começou por “lamentar o sucedido”, assegurando que “o Porto orgulha-se de ser uma cidade de liberdade, onde, designadamente, o direito à manifestação, à livre expressão e até ao protesto é um direito absolutamente inegociável e intocável”.

“Uma coisa é o direito ao protesto, outra é o desrespeito da lei”
Declarações do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, sobre a ação policial que teve lugar esta madrugada, na cidade, contra os manifestantes que estão em protesto pelo direito à habitação.
Natacha Nunes Costa | 11:40 – 15/10/2026