Eleitores norte-americanos em Portugal estão “muito empenhados”

Os eleitores norte-americanos residentes em território português estão particularmente mobilizados para as eleições intercalares nos Estados Unidos (EUA), marcadas para 03 de novembro, disse à Lusa a presidente da organização Democrats Abroad em Portugal, Lynnette Shaw.

 

“Já ultrapassámos os 58% de envolvimento eleitoral, o que é bastante elevado para esta fase de umas eleições intercalares”, afirmou Lynnette Shaw, em declarações à Lusa, salientando que estas eleições, habitualmente menos participadas do que as presidenciais, estão a despertar um interesse invulgar.

A Democrats Abroad é a organização oficial do Partido Democrata norte-americano no estrangeiro, com representação em Portugal, que promove a participação eleitoral dos cidadãos dos EUA residentes fora do país e presta assistência no recenseamento e no exercício do direito de voto.

“Os nossos eleitores estão muito empenhados”, sublinhou a responsável, manifestando a convicção de que a participação será superior à registada em anteriores eleições intercalares, tanto em Portugal como nos Estados Unidos.

Lynnette Shaw atribui esta mobilização ao descontentamento com a situação política norte-americana e às preocupações com o funcionamento das instituições democráticas.

Segundo a responsável, muitos eleitores estão preocupados com aquilo que considera ser a degradação das normas democráticas nos últimos dois anos e com as consequências sociais das políticas da administração do Presidente republicano Donald Trump.

Entre as principais preocupações identificou os cortes fiscais favoráveis aos mais ricos, as dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, a redução dos apoios alimentares e a deterioração dos serviços públicos.

Para Lynnette Shaw, estas eleições poderão ser decisivas para restabelecer algum equilíbrio no poder político norte-americano e permitir a adoção de políticas mais favoráveis às necessidades quotidianas da população.

Em Portugal, a mobilização abrange diferentes gerações, incluindo eleitores com mais de 90 anos que contactam a organização para pedir assistência no exercício do direito de voto.

“Temos pessoas na casa dos 90 anos, com problemas de saúde, que nos telefonam a perguntar se alguém pode ir a casa ajudá-las a perceber como enviar o boletim de voto”, contou.

Não existe voto presencial para os cidadãos norte-americanos que vivem no estrangeiro, mas podem registar-se e pedir um boletim para o voto por correspondência.

A organização Democrats Abroad recebe também dezenas de respostas aos contactos enviados aos seus associados, sobretudo com pedidos de esclarecimento sobre os procedimentos eleitorais.

Uma das principais dificuldades resulta das diferentes regras aplicadas pelos estados norte-americanos, que organizam autonomamente os processos eleitorais.

“Registar-se para votar ou pedir um boletim é uma coisa, mas conseguir fazê-lo chegar aos Estados Unidos é algo bastante diferente”, explicou Shaw.

Quanto à origem geográfica dos norte-americanos que vivem em Portugal, a responsável destacou uma presença significativa de cidadãos provenientes de estados tradicionalmente republicanos, como o Texas e a Florida, mas também de estados democratas, como a Califórnia, Nova Iorque e Oregon.

Segundo Shaw, esta diversidade reflete sobretudo o peso demográfico dos estados de origem, sendo mais frequente encontrar em Portugal cidadãos provenientes dos estados norte-americanos mais populosos.

A responsável reconheceu, contudo, que não existem dados agregados que permitam determinar como votam os norte-americanos residentes em Portugal ou estabelecer uma comparação rigorosa entre democratas e republicanos.

As eleições intercalares nos Estados Unidos, realizadas a meio do mandato presidencial, servem para renovar a totalidade dos 435 lugares da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) e cerca de um terço (35) dos 100 lugares do Senado (câmara alta).

Atualmente, os republicanos controlam as duas câmaras.

A perda de pelo menos uma das câmaras dificultaria a aprovação da agenda legislativa de Trump durante os últimos dois anos do mandato e permitiria aos democratas lançar investigações parlamentares à administração.

No próximo dia 03 de novembro, estão também em disputa, em vários estados, os cargos de governador e outros responsáveis estaduais e locais.

Mais de 43 milhões de norte-americanos já votaram antecipadamente nas eleições intercalares de terça-feira, quase mais 10 milhões do que em 2022, segundo uma análise da agência Associated Press (AP) conhecida na sexta-feira.

No total, existem cerca de 210 milhões de eleitores registados.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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