Entregar garrafas de plástico valerá reembolso em 2026 (com atraso)

A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, disse esta terça-feira, no Parlamento, que no próximo ano vai começar a funcionar o sistema de depósito com retorno (SDR), com o funcionamento de 2.500 máquinas em oito mil postos de recolha, que irão receber embalagens de bebidas de uso único em plástico, alumínio e aço.

 

O sistema entrará em funcionamento a 10 de abril de 2026, com quatro anos de atraso, já que estava previsto para 2022. 

Na prática, ao comprar uma garrafa ou uma lata num supermercado, o cliente terá de pagar um valor, ainda por apurar, que será depois devolvido se a entregar vazia num ponto de recolha.

O objetivo é aumentar a taxa de recolha de embalagens de bebidas de uso único em plástico, metal e aço.

Nesse mesmo ano, recorde-se,  a associação SDR Portugal estimou que o SDR de embalagens terá uma taxa de retoma de 90% em três anos.

“Vemos nos sistemas relativamente maduros, que a mediana anda nos 90%, estou a falar na Dinamarca, Estónia, Finlândia, Alemanha, Islândia, Lituânia, Noruega ou Suécia. Achamos que no primeiro ano não vamos conseguir, mas no prazo máximo de dois a três anos vamos conseguir ter esta taxa de retoma”, afirmou, na altura, o presidente da SDR Portugal, Leonardo Mathias, em entrevista à Lusa.

A SDR Portugal é constituída por empresas do setor das bebidas e por retalhistas, como a Coca-Cola, Central de Cervejas, Sumol+Compal, Super Bock Group e Unilever (Circular Drinks), e por insígnias como a Auchan, Intermarché, Lidl, Mercadona e Sonae MC (SDRetalhistas).

Esta associação é candidata à licença ou concessão da gestão do Sistema de Depósito e Reembolso de embalagens de bebidas de uso único, cuja entrada em funcionamento estava prevista para 1 de janeiro de 2022, estimando um investimento superior a 100 milhões de euros, 70 milhões de euros dos quais a serem realizados nos primeiros dois anos.

Segundo um estudo pedido, também na altura, à consultora 3drivers pela associação, baseado em dados qualitativos dos elos da cadeia e em outras análises já desenvolvidas, sobre o impacte do sistema de depósito e reembolso nos Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU), prevê-se uma redução nos custos associados à limpeza entre 20 e 40 milhões de euros anuais.

A análise em causa aponta ainda potenciais ganhos dos SGRU e dos municípios entre nove e 20 milhões de euros, com a redução dos custos de recolha e triagem de embalagens e bebidas, que transitam para o SDR.

“Achamos que a nossa indústria de reciclagem tem capacidade instalada para receber mais material. Considerando que as matérias-primas estão tão altas, acho que isto é uma oportunidade muito interessante”, referiu o presidente da SDR Portugal, em 2022.

Este ecossistema deverá criar entre 1.000 e 1.500 postos de trabalho diretos e indiretos em Portugal, em tarefas ligadas à manutenção das máquinas, limpeza, recolha, distribuição ou reciclagem.

As máquinas vão ser, sobretudo, colocadas nas grandes superfícies, mas a SDR Portugal estuda a possibilidade de estender este sistema a locais que ainda não apresentaram grande recetividade, como escolas, questão que poderá ser ultrapassada com campanhas de comunicação.

Por outro lado, considera “relevante” a recolha sazonal em pontos turísticos.

Leonardo Mathias destacou a importância de haver uma licença única, com concorrência livre, à semelhança do que já acontece com a SIBS, avisando que vários sistemas podem gerar confusão e distorção.

“Se inventarmos uma coisa diferente, não sei que tipo de taxas de retoma vamos conseguir. Nos EUA, as licenças são a nível estadual. O Massachusetts utiliza o modelo que preconizamos com uma única gestão e o Connecticut foi para sistema misto publico e privado. O primeiro tem 90% de recolha e o segundo, em 15 anos, nunca ultrapassou os 50%”, indicou.

O sistema acarreta também alguns desafios, como fazer pagamentos a quem ainda opera em modo analógico, mas também oportunidades, uma vez que ainda não são produzidas máquinas de depósito na Europa.

“Desafiamos as entidades portuguesas a pensar nisto. Não há máquinas na Europa. Julgamos que seria uma belíssima oportunidade para as empresas portuguesas”, concluiu.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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