O ex-presidente da Rússia e atual vice-presidente do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev, comentou, esta quinta-feira, o cancelamento da cimeira entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, que deveria ocorrer em Budapeste, na Hungria.
Numa publicação, na plataforma Telegram, Medvedev lembrou o facto de Trump ter cancelado a cimeira sobre o conflito na Ucrânia e anunciado novas sanções contra a Rússia e questionou se “haverá novas armas”, além dos “famosos Tomahawks”.
“Se algum dos inúmeros comentadores ainda tinha ilusões, aqui está. Os EUA são nossos adversários, e o seu falador ‘pacificador’ entrou agora em pleno na guerra contra a Rússia”, escreveu, referindo-se a Donald Trump.
Medvedev defendeu que “agora este é o conflito” de Trump e não da “demência” do seu antecessor, Joe Biden, e afirmou que “as decisões tomadas são um ato de guerra contra a Rússia”.
“E agora Trump solidarizou-se totalmente com a louca da Europa”, atirou.
Trump anunciou encontro com Putin em Budapeste. Dias depois, rejeitou “reunião inútil”
Recorde-se que Donald Trump anunciou, na semana passada, que tinha acordado com o seu homólogo russo um encontro em Budapeste, na Hungria. O objetivo seria, segundo o republicano, “pôr fim à guerra ‘inglória’ entre a Rússia e a Ucrânia”.
No mesmo dia, Trump estimou que o encontro poderia ocorrer “dentro de duas semanas”, mas, na terça-feira, um responsável da Casa Branca afirmou que a cimeira não deverá ocorrer “num futuro próximo”.
Segundo o responsável, a decisão foi tomada na sequência de um telefonema, na segunda-feira, entre Marco Rubio e Serguei Lavrov, para debater os contornos da cimeira entre os líderes norte-americano e russo sobre o fim do conflito na Ucrânia.
Também o próprio Trump rejeitou realizar uma “reunião inútil” com o seu homólogo russo, após o adiamento por tempo indeterminado da cimeira.
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que não era urgente o encontro entre Putin e Trump, sublinhando que “é necessária uma preparação, uma preparação séria”.
Administração Trump prepara-se para aumentar sanções à Rússia
Na quarta-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, adiantou que a administração de Donald Trump anunciará publicamente um “aumento substancial” das sanções à Rússia.
“Vamos anunciar depois do fecho desta tarde ou no início de amanhã um aumento substancial das sanções à Rússia”, declarou o responsável da administração Trump aos meios de comunicação social em frente à Casa Branca.
Segundo o secretário do Tesouro norte-americano Putin não foi “nem honesto nem franco” com Trump.
“O presidente Putin não foi nem franco, nem honesto à mesa das negociações, como esperávamos”, declarou Bessent numa entrevista à cadeia Fox Business, assegurando que o presidente americano estava “desapontado com o estado atual das negociações” sobre a guerra na Ucrânia.
Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, Washington sancionou mais de 6.000 pessoas e entidades ligadas à máquina bélica russa, ações que tem vindo a ampliar e a endurecer como resposta aos novos ataques russos e à escalada no conflito.
Washington tem coordenado estas medidas com a União Europeia, Reino Unido e outros países aliados.
Como parte da guerra comercial que trava contra os seus parceiros comerciais, Trump impôs tarifas de até 50% aos produtos oriundos da Índia como medida de retaliação pela compra de petróleo russo por parte daquele país e ameaçou em julho passado colocar taxas adicionais sobre as elevadas que já incidem sobre Moscovo se a nação russa não trabalhar em prol de um cessar-fogo duradouro com Kyiv.
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