GNR morre em missão contra tráfico de droga no Guadiana. Os detalhes

Um militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) morreu e outros três ficaram feridos numa ação de patrulhamento no rio Guadiana, na noite de segunda-feira, após a embarcação da Guarda ser abalroada por uma lancha rápida, presumivelmente relacionada com tráfico de droga.

 

Num comunicado enviado às redações, a GNR confirmou a notícia avançada pela CNN Portugal às primeiras horas da manhã de hoje.

“Por volta das 23h15 de segunda-feira, dia 27 de outubro, na sequência de um alerta sobre uma embarcação de alta velocidade (EAV) que se encontrava no Rio Guadiana, foram acionados militares do Destacamento de Controlo Costeiro de Olhão, da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras, com o objetivo de proceder à sua localização e abordagem”, contam, acrescentando que durante essa intervenção, “a embarcação da GNR foi abalroada pela EAV, resultando na morte de um militar e três feridos ligeiros”.

Posteriormente, a embarcação suspeita foi encontrada a arder, estando ainda em curso, no Rio Guadiana e suas margens, diligências para apurar as circunstâncias em que ocorreu o incêndio e a fim de recolher prova material, assim como localizar os suspeitos que estão em fuga desde o acidente. 

Estas diligências decorrem com o apoio da Polícia Marítima, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil eda Guardia Civil, de Espanha.

A Polícia Judiciária (PJ) foi, segundo a Guarda, “igualmente contactada e acionada, encontrando-se a desenvolver as investigações relativas ao caso, no âmbito das suas competências”.

O apoio psicológico da GNR foi de imediato acionado para acompanhamento dos militares envolvidos e respetivas famílias.

Na nota enviada às redações, a Guarda lamenta ainda “profundamente esta ocorrência e apresenta os mais sinceros votos de pesar à família e aos camaradas do militar falecido, expressando o seu reconhecimento pelo exemplo de dedicação e sentido de missão demonstrado em serviço”.

Presidente da República lamenta morte de militar

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já manifestou “o seu pesar pelo falecimento em serviço do Cabo Pedro Manata e Silva, pertencente à Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras da Guarda Nacional Republicana (GNR), vítima de meliantes esta noite no Rio Guadiana, quando exercia as suas funções a favor do respeito da Lei e da Sociedade”.

No site da Presidência da República, o Chefe de Estado revela que já apresentou “pessoalmente as mais sentidas condolências à esposa, filhos e demais família enlutada, bem como as expressa a todos os seus amigos e à própria GNR, neste momento particularmente difícil para todos os seus militares e civis”.

Marcelo Rebelo de Sousa acompanha agora a situação dos três militares feridos, “a quem transmite a sua solidariedade e apoio, esperando a sua rápida recuperação”.

“Perdeu a vida, enquanto cumpria o seu dever”

Já o Ministério da Administração Interna (MAI) enviou às redações uma nota de pesar pela morte do Cabo Pedro Nuno Marques Manata e Silva, de 50 anos, que “perdeu a vida, enquanto cumpria o seu dever”.

Na mesma nota, o MAI revela que “foi com profundo pesar e consternação que a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, o Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, o Secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, e o Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, tomaram conhecimento do falecimento” do militar.

Em nome do Governo, o MAI dirige, “neste momento trágico, uma palavra de solidariedade e sentidas condolências à família, aos amigos, à Guarda Nacional Republicana e, em particular, aos militares da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras”.

A ministra da Administração Interna e os Secretários de Estado da Administração Interna e da Proteção Civil expressam ainda “votos de rápida e plena recuperação aos três militares que ficaram feridos neste trágico acidente, que envolveu uma embarcação da GNR, segunda-feira, dia 27 de outubro de 2025”.

António José Seguro também já lamentou morte

O candidato presidencial António José Seguro também já lamentou a morte do militar da GNR, sublinhando que os elementos das forças de segurança merecem “o maior respeito e reconhecimento”.

“Faleceu hoje um dos nossos bravos no cumprimento do seu dever. Um militar da GNR. Um dos muitos homens e mulheres que lutam pela nossa segurança e pela nossa liberdade. A minha sentida homenagem”, escreveu António José Seguro numa mensagem escrita enviada à agência Lusa.

“Amigo leal, de riso fácil, um homem de família com um coração enorme”

Nas redes sociais são já muitos os que lamentam também a morte de Pedro Manata e Silva, entre os quais colegas de trabalho e amigos.

“Até sempre companheiro, olha por nós”, escreve um militar, enquanto outro confessa que ainda não acredita no sucedido: “Ainda não acredito que partiste amigo. Estou em choque a pensar como é possível. Pedro Manata e Silva que a tua alma descanse em paz e um até já amigo”.

Por sua vez, um internauta de Ermesinde revela que hoje esta cidade do distrito do Porto “perdeu um filho da terra”.

“Há dias que nos tiram o chão. Dias em que o silêncio pesa mais do que as palavras, e em que o despertar parece um pesadelo do qual não conseguimos sair. Hoje é um desses dias. Partiu demasiado cedo um amigo de sempre, um homem íntegro, feliz, generoso e dedicado à sua missão de servir e proteger. Um verdadeiro exemplo de entrega e coragem, que cumpriu até ao fim o dever que tanto honrava”, começa por escrever Armindo Torres Ramalho no Facebook.

“O Pedro Manata Silva não era apenas um profissional exemplar. Era um amigo leal, um companheiro de riso fácil, um homem de família com um coração enorme. Onde chegava, levava alegria, amizade e respeito. Quem teve o privilégio de o conhecer sabe que a sua presença enchia qualquer espaço. Hoje, Ermesinde está mais pobre. Ficamos todos mais pobres, os amigos, os colegas, a família e todos aqueles que tiveram o privilégio de cruzar o seu caminho. A dor é profunda, mas maior ainda é a gratidão por tudo o que partilhou connosco. Que Deus o receba com o mesmo sorriso com que sempre nos recebeu a nós. Que o seu exemplo de dedicação e amor ao próximo continue a inspirar-nos. Até um dia, meu velho. Até sempre, meu Manata. Descansa em paz”, lê-se na publicação emocionante.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) também manifestou no Facebook “as mais sinceras condolências pelo falecimento do Cabo Pedro Nuno Marques Manata e Silva, que faleceu na sequência de um abalroamento da embarcação em que seguia, durante uma missão de serviço” e desejou as “rápidas melhoras” aos três militares da GNR que se encontram feridos, “reiterando o respeito e solidariedade para com todos os que, diariamente, servem e protegem a comunidade”.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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