Em declarações aos jornalistas em Braga, durante uma visita à Feira do Emprego Start Point Summit, promovida pela Associação Académica da Universidade do Minho, Gouveia e Melo anunciou que, por causa da morte de Pinto Balsemão, a sua candidatura irá ajustar e reduzir as atividades no terreno entre hoje e quinta-feira.
“Vamos deixar de promover e divulgar as nossas ações durante estes dois dias”, referiu.
Depois de vincar a “influência extraordinária” de Pinto Balsemão na imprensa escrita, na televisão, na sociedade e na política, Gouveia e Melo destacou que um Presidente da República tem “uma responsabilidade básica” de defender a democracia, as instituições democráticas e o regular funcionamento dessas instituições, entre as quais a imprensa.
“Não há nenhuma democracia no mundo sem uma imprensa verdadeiramente livre. E o Presidente da República deve ter isso como preocupação, deve ter isso na sua mente e na sua magistratura de influência e noutro qualquer poder que possa utilizar, deve pugnar e tentar que esse pilar da democracia que é uma imprensa livre faça o seu papel com toda a liberdade e com toda a isenção”, apontou.
Para o candidato presidencial, uma democracia sem a liberdade de imprensa “não existe, não tem viabilidade”.
“Nós devemos preservar a liberdade de imprensa, o doutor Pinto Balsemão foi sempre um defensor dessa liberdade e devemos preservar também isso em termos da nossa memória coletiva”, acrescentou.
O antigo primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão, fundador e militante número um do PSD, do qual também foi presidente, morreu na terça-feira, aos 88 anos.
Balsemão foi fundador, em 1973, do semanário o Expresso, ainda durante a ditadura, da SIC, primeira televisão privada em Portugal, em 1992, e do grupo de comunicação social Impresa.
Em 1974, após o 25 de Abril, fundou, com Francisco Sá Carneiro e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde Partido Social Democrata (PSD).
Chefiou dois governos depois da morte de Sá Carneiro, entre 1981 e 1983, e foi até à sua morte membro do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.
“É um bom português que parte, os meus pêsames à família, aos amigos, ao PSD, porque foi fundador do PSD também e teve uma influência extraordinária, quer na imprensa escrita, depois na televisão, na própria sociedade e como político (…). Hoje, na morte dele, tenho de dizer que o estimava enquanto pessoa, enquanto político, enquanto português e essencialmente enquanto uma pessoa que desenvolveu muito uma imprensa livre, uma imprensa de qualidade e depois também a televisão”, reagiu Gouveia e Melo.
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