Governo prepara grupo para avaliar tratamentos de infeções ligeiras nas farmácias

Ana Povo, que falava em Lisboa, na cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais da Ordem dos Farmacêuticos, disse que está quase concluído o despacho que, envolvendo as ordens profissionais, Infarmed e Direção-Geral da Saúde (DGS), cria condições para avaliar a possibilidade de se poderem tratar nas farmácias situações ligeiras como, por exemplo, algumas infeções urinárias.

 

O desejo de ver estas situações tratadas pelos farmacêuticos — com protocolos previamente definidos — tinha já sido expresso por diversas vezes pelo bastonário dos farmacêuticos, Helder Mota Filipe, que no discurso de posse para um segundo mandato voltou hoje a insistir no assunto.

“A intervenção farmacêutica em situações clínicas ligeiras é hoje uma realidade em cada vez mais países”, disse o bastonário, sublinhando a necessidade de criar condições para que, “garantindo a qualidade e a segurança das intervenções”, os utentes possam ver estas situações ligeiras resolvidas na farmácia, evitando assim sobrecarregar os cuidados primários ou as urgências hospitalares.

Estas intervenções “têm de obedecer a protocolos previamente desenvolvidos, envolvendo todas as entidades relevantes, como por exemplo a Ordem dos Médicos ou a DGS e o Infarmed”, afirmou Helder Mota Filipe, acrescentando: “Para além da robustez técnica dos protocolos, é necessário um sistema de informação de suporte que permita, por exemplo, acesso a dados e à partilha da informação sobre estas intervenções com o médico de família do utente”.

Disse ainda que os modelos internacionais mostram que o caminho para aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde “passa também por uma maior intervenção dos farmacêuticos na resolução dos problemas de saúde dos cidadãos”, considerando que “Portugal não está a acompanhar o que se está a passar a nível europeu e nos países mais desenvolvidos fora da União Europeia, como a Suíça, a Austrália ou o Canadá”.

O bastonário manifestou-se ainda preocupado com o que apelidou de “atraso” na aplicação universal do serviço de dispensa medicamentos hospitalares em proximidade.

“Foi identificada pelo senhor primeiro-ministro como uma das sete prioridades para o país. Mas, na verdade, continua em testes, como projeto-piloto”, disse o responsável, insistindo: “Os doentes, muito justamente, exigem a sua generalização a todo o território nacional”.

No seu discurso, a secretária de Estado respondeu que esta matéria não está na fase piloto, mas sim na de “um trabalho conjunto de conciliação de sistemas informáticos”, acrescentando que o projeto se vai “implementando paulatinamente” em todo o território.

Ana Povo sublinhou a importância do papel dos farmacêuticos e das farmácias, afirmando que está a ser alargado o protocolo para possibilitar a substituição de medicamentos quando os prescritos pelo médico não estão disponíveis.

Disse ainda que estão a ser trabalhadas “novas estratégias” para envolver mais as farmácias nos rastreios, dando como exemplo o rastreio oportunístico do HIV e de hepatites.

Por seu lado, o bastonário dos farmacêuticos defendeu que “o elevado impacto” da intervenção destes profissionais de saúde na garantia do acesso ao medicamento, na prestação de cuidados e na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) “deve ser justamente reconhecido”.

“Os farmacêuticos não são, nem nunca foram, um problema. Os farmacêuticos são uma parte fundamental para a solução”, afirmou Helder Mota Filipe, considerando que têm sido dados “passos significativos” para reconhecer o papel que os farmacêuticos podem desempenhar para contribuir para um “melhor acesso ao medicamento e à sua utilização mais racional”.

Reconheceu o esforço por parte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) na melhoria dos sistemas de informação, mas pediu um esforço maior, afirmando: “Não é justificável que impedimentos técnicos coloquem em causa a segurança dos cuidados prestados, porque os farmacêuticos não têm acesso à informação necessária para a prestação adequada dos serviços farmacêuticos”.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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