O debate em relação ao impacto da Inteligência Artificial tem tido dois lados diferentes. Se por um lado há quem acredite que não terá efeitos nocivos no mercado do trabalho e ajudará a criar empregos mais recompensadores para os trabalhadores, há quem considere que só servirá para despedir pessoas para as substituir por ferramentas de Inteligência Artificial.
O antigo ‘Chief Business Officer’ da Google X, Mo Gawdat, parece pertencer ao segundo grupo de pessoas uma vez que acha que até os CEOs de empresa têm o cargo que ocupam em risco.
Gawdat marcou presença num dos mais recentes episódios do podcast ‘The Diary of a CEO’ e, questionado se a Inteligência Artificial significará uma “era dourada” para a humanidade, o antigo executivo da Google mostrou-se cético.
“Acredito que isso é 100% treta. Os melhores em qualquer trabalho vão ficar. O melhor programador de software, o que percebe realmente de arquitetura, que percebe de tecnologia e por aí adiante vão ficar – por algum tempo”, afirmou Gawdat.
O antigo executivo da Google explicou que os CEOs e executivos de grandes empresas já se encontram neste momento a despedir pessoas e a substituí-las por Inteligência Artificial, aproveitando assim para criticar a ganância que (acredita) vai acabar por substituí-los a eles próprios.

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Miguel Patinha Dias | 11:54 – 06/08/2025
“Os CEOs estão a celebrar que podem livrar-se das pessoas, ter ganhos de produtividade e reduções de custos porque a Inteligência Artificial consegue fazer esses trabalhos”, notou Gawdat. “A única coisa em que não pensam é que a Inteligência Artificial também os vai substituir. A Inteligência Artificial Generalista será melhor do que os humanos em tudo, incluindo ser um CEO. Tens de imaginar que chegará a uma altura em que a maioria dos CEOs incompetentes serão substituídos”.
Gawdat aproveitou para explicitar que “não há nada de errado com a Inteligência Artificial” enquanto tecnologia. “Há muita coisa mal com o sistema de valores na era da ascensão das máquinas. E o principal valor da humanidade hoje em diaé o capitalismo. E, afinal, o que é o capitalismo? Arbitragem laboral”, notou o executivo.
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