“Na campanha contra o círculo subversivo e rebelde, Ali Shakouri Rad, membro do Conselho Central do Partido União das Nações, foi detido por ordem judicial”, informou a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária iraniana.
Shakouri, ex-parlamentar da ala reformista, acusou recentemente as forças de segurança de escalar deliberadamente a violência nos protestos para legitimar a repressão dos protestos, nos quais o Governo iraniano reconhece 3.117 mortos.
Organizações não-governamentais como a HRANA, com sede nos Estados Unidos, estimaram em 6.961 o número de mortos, embora continuem a verificar mais de 11.600 possíveis mortes, além de cerca de 51.000 detenções.
Horas antes foi noticiada a detenção de Hossein Karrubí, filho do líder do Movimento Verde de 2009, Mehdi Karrubí, por ser supostamente o redator de um comunicado que responsabilizava os dirigentes da República Islâmica pela “situação catastrófica” do país após a repressão dos protestos e exigia a sua saída do poder.
Desde domingo à noite, houve uma onda de detenções de figuras políticas reformistas que criticaram a repressão, com pelo menos cinco casos, incluindo as detenções de Azar Mansouri Mansouri, líder da coligação de partidos Frente das Reformas, o seu porta-voz Javad Emam, do ex-vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Ebrahim Asgarzadeh e o antigo deputado Mohsen Aminzadeh.
As detenções ocorreram após o chefe do poder judicial, Gholamhosein Mohseni Ejei, ter afirmado, também no domingo, que “aqueles que emitem comunicados a partir do interior contra a República Islâmica estão em sintonia com o regime sionista [Israel] e os Estados Unidos”.
Nos últimos dias, também foram detidos o argumentista Mehdi Mahmoudian, nomeado para os Óscares pelo filme “Foi Só Um Acidente”, e os ativistas Vida Rabbani, Abdullah Momeni e Ghorban Behzadian-Nejad, por terem assinado um manifesto crítico das autoridades.
Além disso, a Prémio Nobel da Paz 2023 Narges Mohammadi foi condenada no sábado a uma nova pena de sete anos de prisão, a décima sentença contra ela desde 2021, anunciou no domingo a Fundação Narges, com sede em Paris.
O campo reformista apoiou amplamente o Presidente iraniano Massoud Pezeshkian durante a campanha presidencial de 2024.
Contudo, os reformistas distanciaram-se após os protestos que começaram no final de dezembro contra a crise económica e ganharam força nos dias 08 e 09 de janeiro.
Leia Também: Irão disposto a diluir urânio enriquecido se EUA levantarem sanções