“Jogadores do Chaves até podiam jogar no Benfica. Basta uma oportunidade”

A deslocação do Benfica a Chaves ocorre já esta sexta-feira, num jogo que poderá ser traiçoeiro para os pupilos de José Mourinho. Numa partida referente à terceira eliminatória da Taça de Portugal, as surpresas podem acontecer e acabar com o objetivo do clube da Luz em conquistar a prova rainha.

 

Mas há quem vá mais além nas previsões do encontro, já que considera que o Chaves é uma equipa compacta e aguerrida, que irá dar tudo para vencer o jogo frente ao Benfica.

Em declarações exclusivas ao Desporto ao Minuto, Álvaro Magalhães recordou os seus tempos enquanto treinador do Chaves e deu um conselho a José Mourinho sobre a forma como deve abordar o jogo da Taça de Portugal.

“Acho que José Mourinho tem de respeitar muito o Chaves. Tem de colocar a melhor equipa. É um conselho. É a experiência que me diz, como jogador e como treinador. Há valores bons na II Liga. O Chaves tem uma equipa que é construída para subir de divisão, por isso são jogadores que estão entre a I e a II Liga. Não há jogadores de II Liga nem de I Liga. É dentro do campo que se vê quem é o melhor, quem é superior. Portanto, José Mourinho não pode faltar ao respeito ao Chaves, porque pode ser surpreendido“, começou por dizer o antigo jogador.

“Se o Benfica não entrar nesses jogos com equipas de escalão inferior, mas que têm valor para jogar na I Liga – e pode haver os jogadores do Chaves que podem jogar até no Benfica, é uma questão de oportunidade e de agarrar, isto é lógico e temos de ser realistas – pode ser surpreendido. O Chaves não vai facilitar, porque o Chaves é uma equipa que se reforçou com jogadores de alta qualidade para subir de divisão e quando tem equipa para subir de divisão, também tem equipa para se manter na I Liga”, continuou, antes de abordar a polémica da viagem longa de Lisboa a Chaves.

Viagem longa foi tema de conversa por parte do Benfica

Mário Branco, diretor geral de futebol, assinalou logo após o sorteio desta eliminatória da Taça de Portugal, a dificuldade acrescida de defrontar o Chaves, adversário que milita na II Liga, em Trás-os-Montes a poucos dias antes de rumar a Inglaterra para defrontar o Newcastle, para a Liga dos Campeões, referindo mesmo que “é uma deslocação também longa, são praticamente mil quilómetros, ida e volta”.

Não podemos vir com desculpas da viagem, porque o Benfica tem condições financeiras para os jogadores irem de avião até ao Porto e depois de autocarro, e a estrada é boa. Antigamente era difícil. Agora, para chegar a Chaves, já se chega com facilidade porque há autoestrada até lá. Portanto, não há esse problema. Antigamente era mais complicado. Agora não. Agora o cansaço é menor e, portanto, não vão por aí”, confessou Álvaro Magalhães.

Chaves ainda sem derrotas

O início da temporada 2025/26 do Chaves tem sido praticamente imaculado, com sete jornadas decorridas na II Liga e ainda sem conhecer o sabor da derrota, algo que os deixa na quarta posição da tabela classificativa, com 13 pontos somados. Para o antigo jogador do Benfica, isto terá peso no encontro.

“Os próprios jogadores estão motivados quando jogam contra equipas diferentes, como o caso de um Benfica, Porto ou Sporting, e vão buscar a força onde elas não existem“, assumiu.

Álvaro Magalhães é perito em surpreender na Taça de Portugal, principalmente quando o Sporting é o adversário. Aconteceu pela primeira vez quando estava no comando técnico do Gil Vicente, na temporada 1998/99, onde acabou por conquistar a II Liga, dobrando a ‘dose’ quando guiou a antiga Naval 1.º Maio às meias-finais da competição, em 2002/03, quando estava no segundo escalão nacional.

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Francisco Amaral Santos | 16:00 – 28/09/2025

“O Benfica, mesmo no campeonato, quando joga contra estas equipas em que à partida é favorita, tem de vestir o ‘fato-macaco’ nestes jogos. Principalmente nos jogos da Taça. Tenho experiência como treinador. Na II Liga, eliminei equipas superiores. Eliminei o Sporting por duas vezes. E, portanto, não se pode deixar de respeitar uma equipa que joga na II Liga. Porque há valores também individuais e coletivos muito fortes. Às vezes aparecem as surpresas na Taça de Portugal“, relembrou, falando depois da cidade e da sua passagem pelo clube transmontano.

Este cenário é acentuado pela história que o Benfica tem a jogar em Chaves, tendo já perdido em quatro ocasiões em Trás-os-Montes, a última delas em abril de 2023, quando Issah Abass colocou as bancadas em festa, com um golo da vitória ao minuto 90+4.

Chaves é uma cidade em que a maioria dos adeptos é benfiquista, mas defendem muito o clube da terra. Eu tive o prazer de jogar muitas vezes contra e de treinar o Chaves, e fiquei muito feliz de representar este clube enquanto treinador. É um adversário aguerrido, em que a equipa do Benfica tem de estar muito concentrada, porque fazem uma grande preparação para este jogo, além da qualidade dos jogadores”, disse o ex-treinador adjunto dos encarnados, que foi também treinador principal do emblema de Trás-os-Montes.

Há muita garra, muita determinação, um espírito de sacrifício. Isto é o povo de Trás-os-Montes. Trabalham muito e, portanto, é uma equipa que trabalha. E é sempre um adversário a ter em conta quando se joga especialmente em Chaves. Agora, o Benfica tem todas as condições para ganhar. Tem valores individuais e coletivos muito superiores aos do Chaves”, prosseguiu, antes de deixar um aviso às águias.

“O Benfica tem objetivos na Taça de Portugal, no campeonato e na Liga dos Campeões. Portanto, são três competições que o Benfica está inserido e que tem de lutar sempre pelo melhor resultado. Uma derrota neste jogo para a Taça de Portugal é um fracasso monumental no Benfica. Portanto, dou um conselho: não facilitar. Porque quem facilita nestes jogos pode ter uma surpresa. E se o Chaves surpreender, não me admira nada porque é uma equipa que tem valores individuais e coletivos muito bons e o Benfica, em todos os jogos que vai ter com equipas mais pequenas, tem de vestir o ‘fato-macaco'”, atirou Álvaro Magalhães.

Calendário benfiquista apertado até ao fim de outubro

Tudo começa no jogo de amanhã, sexta-feira, frente ao Chaves para a Taça de Portugal, mas o plantel de José Mourinho não vai parar até ao final do mês de outubro.

Com a viagem até Inglaterra a dia 21 parra defrontar o Newcastle na Liga dos Campeões, a receção ao Arouca para a I Liga, no dia 25, que também ficará marcado pelas eleições presidenciais do clube da Luz, o calendário quase quinzenal dos encarnados só termina com a receção ao Tondela, a contar para a Taça da Liga, a dia 29 de outubro.

No entanto, o ex-atleta do emblema das águias não é da opinião que uma rotação intensiva deverá ser feita nesta sequência importante de jogos para as quatro competições em que estão inseridos nesta temporada.

O Benfica tem de ir de igual forma para todos os jogos. Não pode desrespeitar nenhuma equipa. Há objetivos. É o campeonato, a Taça de Portugal e a Liga dos Campeões. Ir o mais longe possível é fundamental. O Benfica investiu para estas três competições e com a Taça da Liga quatro. O Benfica tem o objetivo de ganhar essas quatro competições e tem de jogar agora para ganhar ao Chaves. Porque uma vitória frente ao Chaves vai motivar a equipa para o próximo jogo da Liga dos Campeões, contra o Newcastle, que é muito importante”, concluiu.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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