Livro sobre portugueses na Guerra Civil de Espanha é lançado no Folio

O livro “A Las Barricadas: os Portugueses na Guerra Civil de Espanha”, resultado de oito anos de investigação da jornalista Maria José Oliveira, foi lançado hoje no Folio – Festival Literário internacional de Literatura de Óbidos.

 

A obra, editada pela Tinta da China, foi adaptada de uma tese de mestrado da jornalista e investigadora Maria José Oliveira, que no livro recupera histórias dos portugueses que lutaram na guerra civil de Espanha e que foram vítimas da repressão franquista.

“São pessoas que viveram há 90 anos e que praticamente não deixaram qualquer tipo de pegada documental porque eram imigrantes indocumentados, ilegais, que tinham ido para Espanha a salto”, contou na apresentação da obra que resultou de uma morosa recolha de dados sobre portugueses que “não tinham passaporte, não tinham bilhete de identidade, não tiveram registo de óbito, morriam e não deixavam qualquer tipo de rasto documental”.

Um processo que “exige muita paciência e muita perseverança”, qualidade que a autora admitiu terem sido fundamentais para a pesquisa arquivista realizada em Portugal, Espanha e França e para qual contou com uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Da investigação transnacional, que se prolongou por oito anos, resultaram as histórias de homens e mulheres nascidos em Portugal e que participaram ou foram vítimas da Guerra Civil de Espanha e da repressão franquista, tendo sido identificados “cerca de 4.000”, que a autora pensa serem “cerca de metade ou um terço” do total dos portugueses que viveram esta realidade.

Um tema sobre o qual Maria José Oliveira disse hoje haver “ainda muito por descobrir”, manifestando estranheza por não ter, até agora, sido alvo de estudo por parte de investigadores espanhóis.

Na obra, lançada hoje em Óbidos, no distrito de Leiria, a autora considerou “essencial dar os nomes, tanto das vítimas, como dos verdugos”, admitindo a “eventualidade de haver pessoas que vão descobrir com este livro os seus familiares e também a sua própria identidade”.

Por outro lado, tratou-se também de deixar “um reconhecimento” a essas pessoas, “cidadãos comuns, mas que tiveram o seu lugar” na história recente.

A obra, com 400 páginas, esta à venda em plataformas e livrarias de todo o país.

O Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos decorre na vila até ao próximo dia 18, com a participação de 450 autores e criadores em cerca de 300 iniciativas.

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Lusa | 20:27 – 11/10/2026

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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