Paris e Argel estão imersas numa crise diplomática sem precedentes há mais de um ano, resultando na expulsão de diplomatas de ambos os lados, na retirada de embaixadores de ambos os países e em restrições aos titulares de vistos diplomáticos.
“A França deve ser forte e impor respeito”, frisou o chefe de Estado francês numa carta ao seu primeiro-ministro, François Bayrou, publicada pelo jornal Le Figaro.
“Só poderá obter isso dos seus parceiros se ela própria demonstrar o respeito que exige. Esta regra básica também se aplica à Argélia”, pode ler-se.
Entre as medidas solicitadas ao Governo, o chefe de Estado pede a suspensão de um acordo “relativo à isenção de vistos para passaportes oficiais e diplomáticos”.
Emmanuel Macron pede ao governo que “recuse vistos de curta duração aos titulares de passaportes de serviço e diplomáticos, assim como vistos de longa duração a todos os tipos de requerentes”.
Para impedir que os diplomatas argelinos possam viajar para França através de um país terceiro, a França irá solicitar a cooperação dos seus parceiros de Schengen.
Macron apelou também para que os outros países europeus sejam instados a seguir a mesma linha dura e a não se aproveitarem do arrefecimento das relações franco-argelinas para se aproximarem de Argel.
A Itália está em destaque neste ponto diplomático, com a primeira-ministra Giorgia Meloni a receber Tebboune em 24 de julho em Roma, visando vários acordos estratégicos.
Emmanuel Macron referiu ainda o endurecimento das medidas como a situação do escritor franco-argelino Boualem Sansal, condenado a cinco anos de prisão, por “minar a unidade nacional”, e do jornalista francês Christophe Gleizes, condenado a sete anos de prisão na Argélia por “apologia do terrorismo”.
Paris considera as suas sentenças arbitrárias e apela à sua libertação.
O presidente francês, no entanto, promete que o seu “objetivo continua a ser o de restabelecer relações eficazes e ambiciosas com a Argélia”.
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