Marcelo ‘sai da frente’ nas Lajes: “Que seria eu desconfiar do Estado?”

O Presidente da República da República, Marcelo Rebelo de Sousa, comentou, esta sexta-feira, a ‘crise’ na Base Aérea das Lajes, onde cerca de 420 trabalhadores denunciaram que estão desde “a última quinzena de setembro” sem receber ordenado [quinzenal] devido à paralisação dos EUA.

 

Precisamente nos Açores, onde está estacionada a base da Força Aérea Portuguesa, Marcelo foi questionado acerca da posição transmitida pelo Governo na quinta-feira ao dizer que é “alheio” à situação, mas que vai fazer uma “avaliação”.

“Sei que está a equacionar [soluções], mas não me vou pronunciar sobre isso. Era o primeiro passo para dificultar o equacionar dessas soluções”, considerou.

O chefe de Estado justificou depois o ‘silêncio’ com a responsabilidade governamental neste caso, dizendo que o caso envolve competências ligadas aos relacionamentos a nível internacional: “É importante que quem tem a competência para tratar e acompanhar essa matéria – o Governo da República em diálogo permanente com o governo regional e conhecimento do Presidente – tenha o caminho livre para ir apreciando a situação antes de equacionar o que é que é preciso fazer”.

Que seria eu dizer que desconfiava do Estado português, não é?

Questionado sobre se está preocupado com a situação, Marcelo foi assertivo: “Quando há trabalhadores que passam por essa situação há razão para haver preocupação, mas há também razão para esperar que se encontrem pistas, caminhos, para ultrapassá-la”.

E não foi só a relação Lisboa-Washington que foi posta ‘à prova’, dado que Marcelo foi também confrontado sobre se o Estado português estava a fazer tudo o que estava ao seu alcance para resolver a questão. “Sem dúvida. Não desconfio do Estado português. Até porque represento o Estado português como supremo magistrado. Que seria eu dizer que desconfiava do Estado português, não é?”

Note-se que quanto a esta situação, os ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros recordaram, na quinta-feira, em comunicado conjunto que o Governo é “alheio” aos atrasos nos pagamentos dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes, garantindo, no entanto, estar “a avaliar soluções”.

Numa nota enviada às redações, as tutelas começaram por explicar que “o recente ‘shutdown’ ocorrido nos EUA tem originado atrasos no pagamento de parte dos salários devidos a trabalhadores portugueses na Base das Lajes, nos Açores, por parte das autoridades norte-americanas, que constituem a respetiva entidade patronal”.

O Governo português refere-se à paralisação do governo dos Estados Unidos, causado por um impasse entre republicanos e democratas na aprovação do financiamento federal. O ‘shutdown’ já dura há três semanas. 

Tendo isto em conta, o Executivo “é alheio à descrita situação, mas obviamente está preocupado com o impacto decorrente desse atraso nos trabalhadores afetados e respetivas famílias”.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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