A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, explicou esta sexta-feira o processo que levou à substituição de Sérgio Janeiro na presidência do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e reiterou que “não houve qualquer demissão”.
“O doutor Sérgio Janeiro estava em regime de substituição e, entretanto, houve um concurso. Tivemos candidatos e foi escolhida para presidente do INEM uma outra pessoa. Não houve qualquer demissão”, adiantou, em declarações aos jornalistas, no Porto.
A ministra afirmou que o Governo está “muito grato” a Sérgio Janeiro “por ter abraçado a missão num período de substituição tão difícil”, na sequência da demissão do anterior presidente do INEM.
“Abrimos concurso no prazo legal, houve concorrentes, fizeram-se todos os procedimentos e houve uma escolha”, acrescentou.
Questionada sobre o facto de Sérgio Janeiro ser um dos três nomes validados pela Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP) para liderar o INEM e não ser nomeado pelo Ministério da Saúde, a ministra considerou tratar-se de uma “não questão” e reiterou que “houve uma pessoa que foi escolhida”.
“Eram três grandes candidatos e, por isso, todos passaram na CReSAP com relatórios positivos. Depois, houve várias entrevistas e houve uma decisão em relação ao presidente e em relação ao Conselho de Administração”, sublinhou, sem confirmar qual será o novo presidente do INEM.

Ministra da Saúde demite presidente do INEM
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, demitiu o presidente do INEM, Sérgio Dias Janeiro, e prepara-se para nomear Luís Cabral, que lidera a emergência médica dos Açores, como seu sucessor.
Márcia Guímaro Rodrigues com Lusa | 09:08 – 24/10/2025
Em declarações à Lusa, fonte do Ministério da Saúde já tinha explicado que o presidente do INEM não foi demitido, mas será substituído.
“Não houve uma demissão do presidente do INEM. Na sequência de um concurso aberto pela CReSAP, com vista ao recrutamento e seleção do presidente do INEM, foi escolhido um dos três candidatos validados durante este procedimento”, que não é o atual presidente, esclareceu.
Sublinhe-se que, além de Sérgio Janeiro, foram validados pela CReSAP Luís Cabral e Nélson Pereira. Segundo avançou a CNN Portugal, a ministra irá nomear Luís Cabral, que lidera a emergência médica dos Açores. O anúncio deverá ser feito na próxima semana.
O processo de nomeação do novo presidente do INEM, aberto em janeiro, foi interrompido devido à marcação das eleições antecipadas de maio, mantendo-se em funções no cargo Sérgio Janeiro, que tinha sido nomeado por 60 dias.
O ministério de Ana Paula Martins já tinha recebido as propostas da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP) sobre os candidatos que se apresentaram para o cargo.
O concurso abriu em 6 de janeiro e terminou no dia 19 do mesmo mês, depois de um primeiro concurso que não teve candidatos suficientes.
Especialista em medicina de urgência e emergência e em anestesiologia, com competência em emergência médica, Luís Mendes Cabral é atualmente diretor clínico do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, onde também é médico regulador e formador.
Integra a equipa de evacuações aéreas no Hospital do Divino Espírito Santo, da Ilha Terceira, e foi secretário regional da Saúde do Governo dos Açores de 2012 a 2016.
Sindicato já tinha pedido ao Governo para reavaliar nomeação de Luís Cabral
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) pediu, no início da semana, que seja reavaliada a nomeação de Luís Cabral para presidente do INEM, alegando que a escolha do médico “suscita muitas e legítimas preocupações” aos profissionais do setor.
Numa carta enviada ao primeiro-ministro, o STEPH apelou a que Luís Montenegro “reavalie esta eventual nomeação”, garantindo que a escolha do nome para a presidência INEM seja “orientada pelos princípios da competência, da continuidade e do interesse público”.
Segundo o sindicato, a nomeação de Luís Cabral para presidente do instituto, ainda não confirmada pelo Governo, é uma “decisão que pode representar um retrocesso no caminho de cooperação e modernização que vinha sendo trilhado”, colocando em causa o “espírito de confiança e estabilidade que tem sido cuidadosamente construído”.
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