“NATO é um multiplicador de força que permite aos EUA projetar poder”

Trata-se antes de “um pacto estratégico” que garante aos Estados Unidos, agora liderados por Donald Trump, “que continuarão a ser a nação mais poderosa e economicamente segura do mundo”, a uma “fração do custo” de fazê-lo sozinhos, sublinharam, em comunicado.

 

Na declaração hoje assinada, no dia em que se realizou em Bruxelas uma reunião de ministros da Defesa da Aliança Atlântica, 16 diplomatas e generais norte-americanos que serviram na NATO nos últimos 25 anos recordaram que a organização “tem sido a pedra basilar da segurança nacional” dos Estados Unidos e que retirarem-se ou reduzirem a sua presença seria altamente prejudicial.

“Longe de ser uma obra de caridade ou uma garantia de segurança unidirecional, a NATO é um multiplicador de força vital que permite aos Estados Unidos projetar poder, proteger a sua economia e partilhar os imensos encargos da liderança global de formas que seriam impossíveis, ou proibitivamente dispendiosas, de alcançar sozinhos”, referiram os signatários no documento.

Como ex-embaixadores dos Estados Unidos junto da NATO e antigos comandantes supremos da Aliança, afirmaram ter “experimentado o seu verdadeiro valor”, defendendo que uma organização forte “melhora a dissuasão na região transatlântica” e permite a Washington “garantir a segurança noutras regiões do globo”, pelo que é “fundamental para a sua própria segurança” que os norte-americanos “reconheçam o valor da NATO”.

Deram como exemplo que, se os Estados Unidos se retirassem da NATO, ou diminuíssem a sua utilidade erodindo a confiança entre os aliados, o resultado mais imediato seria que a Casa Branca enfrentaria “custos mais elevados” para manter “o mesmo nível de influência global e segurança comercial”.

Nesse cenário, a Marinha e a Força Aérea dos Estados Unidos, no mínimo, teriam de “expandir-se significativamente” para substituir as frotas e os grupos aéreos aliados, um “vazio de segurança” que custaria “até 200 mil milhões de dólares (cerca de 168 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

De acordo com os antigos responsáveis norte-americanos, sem a presença dos Estados Unidos (EUA) na NATO, “a Rússia e a China poderão estar mais inclinadas a desafiar a Europa”, aumentando assim “o risco de conflito com os maiores parceiros comerciais dos EUA” e arrastando-os para “um conflito que a sua permanência na Aliança teria evitado”.

Os EUA também perderiam a sua influência nas decisões de segurança europeias, o que poderia levar ao “surgimento de um bloco militar europeu que não esteja alinhado com os interesses dos EUA”, além de perderem “as redes de serviços de informações locais e especializadas de 31 aliados da NATO”.

Depois de referirem outros problemas, como a perda de padrões comuns para o equipamento militar — o que desencorajaria as compras aos Estados Unidos —, os ex-embaixadores argumentaram ainda que, sem o guarda-chuva (escudo) nuclear de Washington, muitos países ver-se-iam obrigados a desenvolver a sua própria defesa com armas nucleares, aumentando “a probabilidade estatística de uso acidental ou intencional”.

Os Estados Unidos perderiam igualmente a sua rede de bases aéreas, navais e terrestres em toda a Europa e ficariam impossibilitados de voltar a acionar o artigo 5.º da NATO, que foi invocado apenas uma vez na História, após os atentados de 11 de Setembro de 2001, quando os aliados destacaram mais de 50.000 soldados, no auge da missão da NATO no Afeganistão.

Por último, Washington teria muito menos legitimidade nas suas operações no estrangeiro, uma vez que seriam vistas como “ações policiais” unilaterais, em vez de mandatos internacionais assentes no apoio dos seus parceiros da NATO.

Leia Também: Rutte satisfeito com “mudança de mentalidade” entre parceiros europeus

Fonte: www.noticiasaominuto.com

Scroll to Top