O Sindicato Nacional da Carreira de Chefes (SNCC) da PSP disse hoje que continua disponível para negociar com o Governo, mas alertou para a possível desmotivação dos polícias, caso as suas exigências não sejam correspondidas.
“Levamos muito a sério o sentido de responsabilidade e a expectativa criada nos chefes de polícia, mas vamos dar tempo – que não é muito, porque a segurança precisa de celeridade na tomada de decisões –, vamos aguardar as propostas do Governo, acreditando que vai considerar os nossos anseios e propostas, e depois fazer o balanço e tomar decisões”, disse à Lusa Rui Amaral, presidente do SNCC.
O dirigente sindical falava após o Encontro Nacional de Chefes da PSP, que reuniu cerca de uma centena de profissionais no Baleal, concelho de Peniche, distrito de Leiria, para analisar o atual estado das negociações com o Governo.
Rui Amaral salientou que “este é o tempo de negociar” e que o sindicato que lidera espera “com legitimidade e alguma impaciência” que as negociações vão “ao encontro das expectativas e das necessidades” dos polícias, que manifestaram na reunião “uma forte coesão e união”.
Se as negociações “não forem ao encontro” dos profissionais e, “por inerência, ao que é importante para a PSP e para a segurança” do país, “podem contar, com responsabilidade, com a contestação dos chefes de polícia”, avisou o presidente do SNCC.
“Tudo aquilo que não responda a isso, naturalmente terá uma resposta por parte dos chefes de polícia com o sentido de responsabilidade que nos caracteriza e que, já agora, também nos deve ser exigido”, reforçou, sem especificar que formas de luta poderão estar em causa.
O caderno reivindicativo passa pela revisão das tabelas salariais, pela reformulação dos conteúdos funcionais e pela atualização das tabelas remuneratórias e dos respetivos suplementos, detalhou.
“Mas, uma verdadeira atualização, considerando que [as tabelas remuneratórias] já têm mais de 20 anos. É tempo de repor aquilo que não foi feito nos últimos anos e que, neste momento, a segurança interna do país sofre essas consequências”, salientou.
O presidente do SNCC alertou também para “um fator que não é controlável”, relacionado com a motivação e o rendimento dos polícias, caso as suas exigências não sejam correspondidas.
“Não podemos esquecer que tudo isto condiciona os anseios e as expectativas dos nossos profissionais. Tudo o que possa efetivamente afetar essa motivação, afeta naturalmente o rendimento. Não há melhor forma de luta do que ter polícias desmotivados”, sublinhou Rui Amaral.
Em relação à abertura do Governo para atender às suas reivindicações, há “sinais que demonstram vontade”, mas também “passados que nos levam a ser pouco crentes”, notou.
“Não é altura ainda de fazer prognósticos, é a altura de podermos ajudar o Governo a tomar as melhores decisões, queira o Governo ter a mesma vontade que nós temos para encontrar as soluções e, sobretudo, melhorar a segurança do país”, acrescentou.
Em 29 de setembro, cinco dos sete sindicatos da PSP rejeitaram a proposta do Governo sobre a atribuição de um suplemento aos polícias que trabalham no controlo de fronteiras.
O Ministério da Administração Interna (MAI) referiu na ocasião que os polícias da UNEF e os militares da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR vão passar a receber mensalmente um suplemento de 160 euros em 2026, com efeitos retroativos a 01 de julho, valor que vai subir para 230 euros em 2027.
Segundo o MAI, o suplemento será atualizado a partir de 2028, “nos termos das valorizações remuneratórias da administração pública”.
As reuniões entre MAI, sindicatos da PSP e associações da GNR deverão prosseguir dentro de duas semanas.

Superintendente Pedro Moura será o novo diretor nacional da PSP
O superintendente-chefe Pedro Moura será o novo diretor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), substituindo Luís Carrilho. Pedro Moura tomará posse no dia 13 de outubro numa cerimónia que será presidida pelo primeiro-ministro, Luís Montengro.
Notícias ao Minuto | 17:40 – 09/10/2026