Entre os expulsos estão o general He Weidong, até agora vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC) — o mais alto órgão dirigente das Forças Armadas chinesas –, o almirante Miao Hua, antigo responsável pelo trabalho político no Exército de Libertação Popular, e o ex-ministro da Agricultura Tang Renjian, condenado por aceitar subornos milionários.
O plenário, que decorreu à porta fechada desde segunda-feira em Pequim, terminou hoje com a divulgação de um comunicado que confirma a expulsão de 14 membros do Comité Central por “graves violações da disciplina e da lei”.
A reunião serviu também para nomear Zhang Shengmin como novo vice-presidente da Comissão Militar Central, segundo o texto oficial, divulgado pela agência noticiosa oficial Xinhua.
Além dos altos comandos militares, a lista inclui vários dirigentes civis implicados em investigações de corrupção.
No comunicado, o PCC insiste que “para governar bem o país, é necessário governar bem o Partido”, e que “só um Partido forte pode tornar o país forte”, uma fórmula habitual nos discursos de Xi Jinping e que reflete o reforço da campanha interna de disciplina e luta anticorrupção promovida pelo Presidente chinês.
O documento apela a que se mantenha a “auto-revolução do Partido” como base da transformação social e a uma “governação rigorosa em todas as áreas”, expressão frequentemente utilizada em documentos oficiais como referência à repressão da corrupção.
No setor militar, o comunicado sublinha a necessidade de “reforçar a liderança absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “aumentar as capacidades estratégicas para salvaguardar a soberania nacional”.
Defende ainda a aceleração do desenvolvimento de “capacidades avançadas de combate” e da modernização da estrutura de comando militar, destacando a “modernização da defesa nacional” como uma das prioridades.
As confirmações divulgadas hoje seguem-se ao anúncio de 17 de outubro, quando as autoridades chinesas revelaram a expulsão de nove altos responsáveis militares do PCC e do Exército, também por “graves violações disciplinares” e suspeitas de corrupção.
Entre os visados estavam He e Miao, cujos desaparecimentos da vida pública nos últimos meses tinham gerado forte especulação sobre uma possível queda em desgraça.
De acordo com o Ministério da Defesa, os casos em causa envolvem “quantias extremamente elevadas de dinheiro” e tiveram “consequências altamente prejudiciais”.
As investigações, autorizadas pelo Comité Central e pela Comissão Militar Central, têm abalado vários setores das Forças Armadas, incluindo a poderosa Força de Foguetes, que gere o arsenal nuclear chinês.
Nos últimos anos, o Exército tem estado no centro de diversos escândalos de corrupção que resultaram na queda de dois ministros da Defesa e na destituição de altos quadros ligados aos departamentos de armamento e aquisições.
Em julho, a Comissão Militar Central publicou novas diretrizes para reforçar a “lealdade política” e a integridade dos seus membros, num contexto de crescente vigilância interna sobre as fileiras militares.
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