Segundo o chefe do departamento provincial da Polícia de Trânsito, Aniceto Magome, o acidente ocorreu por volta das 15:00 locais (14:00 em Lisboa), na zona de Intutupue, distrito de Ancuabe, quando um transporte semicoletivo de passageiros que seguia de Pemba para Montepuez se despistou e capotou.
“Ao chegar naquela zona de Intutupue, teria arrebentado o pneumático do lado direito e despistou e capotou para o mesmo lado e tivemos registo de cinco óbitos e os feridos ainda não quantificados”, disse à comunicação social o responsável.
De acordo com Aniceto Magome, a prioridade das equipas de socorro foi a evacuação dos sobreviventes para unidades sanitárias da região: “Os feridos foram socorridos e encaminhados para a unidade sanitária mais próxima e depois para o Hospital Provincial de Pemba”.
As autoridades apontam, numa avaliação preliminar, para um problema mecânico como possível causa do acidente.
“Daquilo que é informação preliminar, percebeu-se que há uma deficiência mecânica. Se a viatura tem o pneumático não muito bom, é uma obrigação de todo o automobilista fazer a inspeção da sua viatura antes de iniciar uma viagem”, declarou Magome.
Por sua vez, o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, indicou que pelo menos sete sobreviventes recebiam assistência médica no centro de saúde de Metoro, no distrito de Ancuabe.
“Pelo menos para os que estão já no centro de saúde de Metoro, estão lá sete”, afirmou.
Segundo o governador, testemunhos recolhidos junto de sobreviventes apontam para preocupações manifestadas pelos próprios passageiros antes do início da viagem. De acordo com Tauabo, alguns passageiros terão alertado para o estado do pneu antes da partida.
“Temos uma informação de um dos sobreviventes, que antes da partida de Pemba com destino a Montepuez, verificou-se que o minibus [miniautocarro] tinha uma das rodas um pouco desgastada para poder fazer a estrada”, disse.
Os acidentes rodoviários constituem uma das principais causas de mortalidade em Moçambique, sendo frequentemente associados ao excesso de velocidade, deficiências mecânicas e degradação de algumas vias de circulação.
O último acidente rodoviário de grande dimensão registado no país ocorreu em 17 de setembro, no distrito de Zavala, província de Inhambane, quando uma viatura de transporte de passageiros colidiu frontalmente com um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), provocando 24 mortos e dois feridos. As autoridades apontaram o excesso de velocidade, deficiências mecânicas e a alegada superlotação do veículo de passageiros entre as causas prováveis do sinistro.
O comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) afirmou em 18 de setembro que os acidentes de viação matam mais cidadãos do que qualquer doença no país e apelou ao envolvimento da sociedade na prevenção da sinistralidade rodoviária.
“Morrem mais cidadãos por acidentes de viação do que qualquer doença que temos aqui no país”, disse Joaquim Sive, durante o I Fórum Nacional de Segurança Rodoviária, na cidade da Beira, província de Sofala, centro do país.
Segundo o comandante-geral da PRM, os acidentes rodoviários continuam a representar um dos principais problemas de saúde pública em Moçambique, exigindo o reforço das ações de prevenção e consciencialização dos utentes das vias públicas.
Pelo menos 239 pessoas morreram e 1.112 ficaram feridas no primeiro semestre na sequência de 169 acidentes rodoviários em Moçambique, segundo dados divulgados na semana pelo comandante-geral.
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